Israelenses e palestinos tentam manter trégua

A polícia palestina aplicou uma trégua informal com Israel nesta quarta-feira, patrulhando locais normalmente conturbados, e os dois lados concordaram com a renovação de negociações mediadas pelos Estados Unidos para retomar a coordenação da segurança.A calma foi interrompida por um tiroteio de duas horas na cidade cisjordaniana de Hebron, onde cinco palestinos ficaram feridos. Uma explosão num assentamento judaico deixou dois israelenses feridos. Um lado acusa o outro pelo início do choque em Hebron, e Israel alega ser cedo demais para dizer se a trégua está realmente em vigor.Os Estados Unidos vêm pressionando Israel e os palestinos a trabalharem um cessar-fogo. A calma no Oriente Médio é vista por Washington como essencial em sua tentativa de conseguir a adesão dos Estados árabes e muçulmanos a uma coalizão que apoiaria uma retaliação militar pelos ataques terroristas da semana passada contra os EUA.Em um passo rumo à implementação da trégua, israelenses e palestinos concordaram em que seus principais comandantes se reuniriam para retomar o diálogo sobre a cooperação na segurança.Funcionários palestinos disseram que o encontro deveria ocorrer nesta quinta-feira em Tel Aviv, com participação dos Estados Unidos. Israel diz que o dia e o local da reunião ainda não foram acertados.Numa próxima etapa, o ministro israelense das Relações Exteriores, Shimon Peres, deveria reunir-se com o líder palestino Yasser Arafat.O encontro deveria ocorrer antes do fim da semana, comentou Yaffa Ben-Ari, porta-voz da chancelaria.De acordo com Israel, a reunião entre Peres e Arafat só poderia ocorrer após 48 horas ininterruptas de calmaria.Funcionários israelenses foram evasivos nesta quarta-feira ao seram perguntados se a contagem regressiva já havia começado."Nesta quinta-feira estimaremos se houve um cessar-fogo suficiente para uma reunião entre Peres e Arafat", comentou Yarden Vatikay, porta-voz do Ministério da Defesa.O novo cessar-fogo tomou impulso na terça-feira, quando Arafat anunciou que havia ordenado às suas forças que evitassem todos os ataques contra os israelenses e mostrassem máxima contenção, mesmo que fossem agredidas. Israel respondeu com a retirada de tanques posicionados em territórios palestinos e prometeu parar com os ataques militares.Apesar dos anúncios, aconteceram algumas confusões no fim da noite desta terça-feira. A Cisjordânia e a Faixa de Gaza atravessaram uma quarta-feira na qual prevaleceu o silêncio - com exceção dos incidentes em Hebron e no assentamento judaico de Oranit.Em Oranit, dois guardas de segurança em um carro de patrulha passaram com o veículo sobre um artefato explosivo, que foi imediatamente detonado. Os dois sofreram ferimentos moderados, disseram equipes de socorro.Em Hebron, o Exército israelense alegou que palestinos dispararam do bairro de Abu Sneineh contra um enclave ocupado por colonos judeus, e tanques israelenses dispararam quatro bombas numa tentativa de atingir os supostos atiradores.Os palestinos dizem que os soldados atiraram primeiro. Cinco palestinos ficaram feridos, um deles em estado grave. Mais cedo, a polícia palestina patrulhou Abu Sneineh pela primeira vez um quase um ano de combate. Oficiais palestinos de segurança disseram que os policiais foram à rua quando o bairro foi atacado pelos israelenses.No passado, pistoleiros palestinos iniciavam algumas vezes trocas de tiros em Hebron. O tiroteio durou duas horas.Funcionários israelenses disseram que o incidente em Hebron não atrapalharia os esforços em favor da trégua. "Nós queremos dar uma chance e ainda estamos dispostos", garantiu Vatikay.O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse nesta quarta-feira ter levado muito a sério o compromisso de trégua assumido por Arafat. "Gostaria que o presidente Arafat complementasse suas palavras com ações", disse ele.Um comandante palestino disse que Arafat deu ordens a todas as suas forças para que mantivessem a situação calma a qualquer custo. "Evitaremos os tiroteios mesmo que seja preciso usar a força", disse Said Naji, chefe de segurança na cidade palestina de Jenin, no extremo norte da Cisjordânia.Ainda nesta quarta-feira, um palestino que ficou ferido em outros choques morreu na cidade cisjordaniana de Qalqilya, elevando a 638 o número de mortos no lado palestino.Desde 28 de setembro de 2000, quando começou o atual levante - após uma visita do atual primeiro ministro de Israel, Ariel Sharon, à Esplanada das Mesquitas, sagrada para judeus e muçulmanos - também morreram 175 israelenses. O número total de mortos é de 813.

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