Israelenses estão perdendo a guerra da mídia

Se, no atual conflito entre palestinos e israelenses, Israel leva nítida vantagem no plano militar, o mesmo não ocorre na mídia. O ministro de Relações Exteriores israelense, Shimon Peres, tem afirmado que a ofensiva militar contra Yasser Arafat constitui também uma "batalha de imagens". Nesse conflito podem ser identificadas três frentes diversas: a política, a militar e a da mídia - mesmo porque, segundo Peres, "uma câmera também é uma arma".Esse parece ser o calcanhar-de-aquiles da operação Muro de Proteção, especialmente no plano internacional. O cerco imposto a Arafat constitui um grave "erro de mídia", afirma o ex-primeiro-ministro trabalhista e Prêmio Nobel da Paz.Nessa área, o balanço da ofensiva tem sido negativo em toda a Europa, especialmente na França, tido como o país mais hostil à política de Sharon. O que mais irrita o governo de Israel é constatar que está contribuindo para transformar Arafat numa vítima e não num "perigoso terrorista", único e principal responsável pelos atentados suicidas dos últimos tempos. Os jornais, emissoras de rádio e TV, têm multiplicado artigos e reportagens sobre a forma como essa ofensiva tem sido tratada pela mídia européia.O cerco a Arafat acabou transformando-o novamente numa vedete e apagando a imagem que prevalecia, mesmo em algumas organizações árabes, de um líder idoso e doente, em pleno declínio. A posição de vítima está permitindo a Arafat mobilizar a seu favor tendências palestinas da oposição, e a maior parte da opinião pública internacional. Outro problema de comunicação para Israel foi o grande número de operações com blindados, pois os estragos são importantes, provocando cenas de impacto quando captadas pelos cinegrafistas e fotógrafos.Diante disso, Israel decidiu abrir um grande centro de imprensa, pondo à disposição dos jornalistas uma verdadeira brigada de porta-vozes para explicar e justificar suas posições. O importante é estar sempre presente em matéria de ocupação audiovisual, não permitindo que prevaleça a presença palestina. Já se fala até da recuperação do ex-primeiro-ministro Binyamin ?Bibi? Netanyahu, como principal porta-voz da ofensiva israelense. Ele é tido como um mestre, quando se trata de marketing político. O único e grande problema é harmonizar os discursos desses três dirigentes.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.