Israelenses matam jovem palestino e invadem santuário islâmico

Soldados israelenses mataram um adolescente palestino e deixaram outro gravemente ferido em atos de violência ocorridos hoje na Cisjordânia. Em Jerusalém, a tropa de choque da polícia entrou brevemente na Esplanada das Mesquitas e lançaram granadas de efeito moral, depois de alguns fiéis muçulmanos terem atirado pedras contra os policiais que atingiram judeus que rezavam no Muro das Lamentações.Testemunhas em Nazlat Zeid, na Cisjordânia, contaram que Mohamend Zeid, de 15 anos, estava na frente de sua casa observando outros jovens atirarem pedras contra uma patrulha do Exército israelense. Os soldados responderam com tiros. Zeid foi atingido por uma bala de metal revestida com borracha. Ele morreu num hospital de Jenin, informou sua família.O Exército de Israel disse que seus soldados tentavam impor um toque de recolher no vilarejo quando foram atacados por "baderneiros". Segundo militares, soldados dispararam para o alto. Mas o Exército confirmou a morte de um jovem. Na cidade de Nablus, Ibrahim Madani, de 12 anos, estava em condições graves devido a um tiro que levou na cabeça. Testemunhas disseram que ele foi baleado por soldados israelenses no campo de refugiados de Askar, onde caminhava pela rua em meio a um toque de recolher. O Exército alegou nada saber sobre o incidente, mas informou que um soldado ficou gravamente ferido por atiradores palestinos em Nablus.Em Jerusalém, a polícia informou que cerca de 50 homens da tropa de choque entraram no complexo de mesquitas de Al-Aqsa - conhecido pelos judeus como Monte do Templo -, o mais disputado local sacro do conflito palestino-israelense. Os policiais lançaram granadas de efeito moral para dispersar dezenas de jovens que atiraram pedras contra oficiais na entrada do complexo. Algumas pedras atingiram judeus que rezavam no Muro das Lamentações, situado pouco abaixo dali. Não há informações sobre feridos nem danos materiais. Policiais disseram que clérigos islâmicos acalmaram a multidão e a polícia deixou a área em seguida. A Esplanada das Mesquitas é o local mais sagrado do judaísmo e o terceiro mais importante do islamismo.CautelaÁrabes e israelenses vêm agindo com certa cautela no local nos últimos meses, apesar de os dois anos de levante palestino terem sido iniciados em 28 de setembro de 2000, com manifestantes árabes protestando contra a presença do primeiro-ministro, Ariel Sharon, que queria tentar enfatizar a alegação de soberania de Israel sobre a área.Panfletos distribuídos mais cedo em bairros árabes de Jerusalém pediam aos fiéis que protestassem nesta sexta-feira contra um projeto de lei do Congresso dos Estados Unidos que pede o reconhecimento da cidade como capital de Israel. Jerusalém é sagrada para cristãos, judeus e muçulmanos. Testemunhas disseram não ter ouvido cantos nem gritos do pequeno grupo de jovens que começaram a atirar as pedras logo após as orações de sexta-feira. O clérigo muçulmano da mesquita de Al-Aqsa, Yousef Abusnineh, denunciou a resolução norte-americana, apesar de o presidente dos EUA, George W. Bush, ter afirmado que não lançaria mão das cláusulas mais polêmicas quando assinou a lei na segunda-feira.Na Faixa de Gaza, 3 mil manifestantes marcharam pelo campo de refugiados de Jabalya nesta sexta-feira para protestar contra a lei norte-americana. Outros 2 mil protestaram pelo mesmo motivo na Cidade de Gaza. Centenas de homens mascarados com bandanas nas quais se lia "mártir à espera" participaram da manifestação em Jabalya. Enquanto isso, houve uma série de esforços diplomáticos para tentar colocar fim ao conflito.O ministro israelense das Relações Exteriores, Shimon Peres, reuniu-se em Tel Aviv com o Embaixador dos EUA em Israel, Daniel Kurtzer, e outros representantes do chamado "Quarteto" (formado por União Européia, Rússia e Organização das Nações Unidas, além dos EUA). A UE informou que Javier Solana, seu comissário de Relações Exteriores e Defesa, iniciaria amanhã uma viagem pelo Oriente Médio. O Ministério da Defesa de Israel informou que Solana se reunirá no domingo com Binyamin Ben-Eliezer, em Jerusalém. Um funcionário da UE disse que Solana também se reunirá com Sharon, em Jerusalém, e com o líder palestino Yasser Arafat, em Ramallah.Depois, Solana deverá seguir para Amã, onde se reunirá com o rei Abdullah II da Jordânia. No Cairo, ele deverá encontrar o presidente do Egito, Hosni Mubarak. Fontes palestinas comentaram que o ministro das Finanças de Arafat, Salam Fayad, partirá no domingo para Washington, onde se reunirá com o secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, e com a conselheira de Segurança Nacional de George W. Bush, Condoleezza Rice, além de parlamentares norte-americanos e funcionários internacionais ligados ao setor de finanças.

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