Israelenses relatam pânico após atentado

Explosão de ônibus em Tel-Aviv, a primeira na cidade em seis anos, ocorreu perto de centro das Forças Armadas

TEL-AVIV, O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2012 | 02h02

Das janelas sem vidro do ônibus 142 da empresa Dan, saía um cheiro de explosivos e plástico queimado. Meia hora depois do atentado, quando o Estado chegou na Rua Shaul Hamelech, feridos eram atendidos em um local isolado e testemunhas da explosão, algumas em choque, eram amparadas por psicólogos.

Marcela Azulai, de 77 anos, estava no ônibus atrás do que sofreu o atentado. "Com o barulho e toda aquela fumaça, achei que tivesse sido no meu ônibus e fiquei desesperada. O motorista abriu todas as portas e gritou para corrermos, mas não tinha força nas pernas", disse ao Estado.

Sentado na escada de um centro comercial na frente do local do atentado, Golan Tuviania, de 39 anos, enxugava as lágrimas. Ele desceu no ponto de ônibus a caminho do tribunal que fica na região e caiu no chão com a explosão. De pé, começou a ajudar a feridos e, quando chegaram as equipes de resgate, desmontou sobre os degraus da escadaria.

A rua escolhida para o atentado, no nordeste de Tel-Aviv, carrega um significado especial. A explosão foi a metros do complexo militar que abriga o Comando Central das Forças Armadas de Israel, em um dos bairros mais sofisticados da maior cidade israelense. Seguranças à paisana agitados afastavam qualquer um que tentasse atravessar a rua, em direção aos prédios do Exército.

O atentado foi reivindicado pelo grupo Brigada dos Mártires da Al-Aqsa, historicamente próximo do Fatah. O Hamas, inimigo da facção que controla a Cisjordânia, comemorou a notícia como uma grande vitória.

Segundo Ilan Klein, chefe da equipe de socorro que atendeu as vítimas, a explosão ocorreu precisamente às 12 horas. As vítimas receberam os primeiros cuidados no local e três foram levadas em estado regular ou grave para um hospital a uma quadra de distância.

Em um restaurante moderno na esquina, as paredes de vidro vibraram com o som grave da explosão. "Depois daquele barulho horrível, vimos gente correndo aos berros. Entendi na hora o que havia acontecido", disse a garçonete Noemi Douek.

As cenas de um ônibus arrasado em um atentado a bomba no coração de Tel-Aviv não eram vistas havia pelo menos seis anos. Poucos se arriscam a dizer qual será o efeito psicológico que elas terão sobre os israelenses, que até a atual crise na Faixa de Gaza sentiam-se seguros em lugares como Jerusalém e Tel-Aviv.

"Na terça-feira, foguetes arrasaram a frente de uma casa de três andares em Rishon Letzion e agora temos isso", disse Boaz Bismuth, jornalista que mora a uma quadra do local do ataque. / R.S.

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