Israelenses sem teto se reúnem em praça pública

Aproximadamente 200 israelenses "sem teto" desafiaram hoje o intenso frio e se reuniram à noite (hora local) na elegante praça Kikar-ha Medina (Praça do Estado), em Tel Aviv, para acender as tradicionais velas de Hanukka, a festa judaica das luzes. No centro da praça vivem há dois meses dezenas de grupos familiares que durante o verão necessitavam apenas de algumas barracas para se proteger, mas que agora têm de buscar abrigo em ônibus fora de circulação e carcaças de automóveis. "Nos aquecemos com o calor humano", asseguram os habitantes. Durante o dia, dezenas de pessoas passam pela praça - assistentes sociais, militantes de organizações de protesto e doadores anônimos que distribuem rações de comida quente. As diferenças sociais se tornaram para Irael "uma ameaça existencial", segundo um informe divulgado hoje por uma comissão parlamentar. De acordo com o informe, nos últimos 20 anos as injustiças sociais foram se agravando constantemente. "Votamos no Likud, votamos no partido ortodoxo Shas. Agora não acreditamos mais em nenhum político", afirmou Itamar Barav, um desocupado de 30 anos, proveniente de Dimona, localidade do deserto do Negev. Junto a outros desocupados, Barav decidiu apresentar-se como candidato nas próximas eleições de 28 de janeiro, encabeçando a lista Za´am (Cólera). Mas antes precisou resolver um pequeno problema técnico: para inscrever-se na votação, o partido precisava de 73 mil shekel - em torno de US$ 14 mil. "Para nós, é uma cifra fantástica. Os membros do Za´am se sentem felizes quando têm 100 shekel (US$ 20) no bolso", explicou Barav. A Corte Suprema teve de intervir no caso, e estabeleceu que com base no princípiio democrático não se pode negar a algúem o direito de candidatar-se por razões econômicas. Desta forma, a quota de inscrição foi adequada com base nas possibilidades de Za´am.

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