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Israelenses trocam acusações sobre crescimento do Hamas

O premiê israelense, Ehud Olmert, e seu adversário político Benjamin Netanyahu trocaram acusações na segunda-feira sobre a ascensão do Hamas, expondo as discordâncias dentro de Israel sobre como lidar com a facção palestina. O Hamas venceu as eleições palestinas no ano passado e vem resistindo à pressão do Ocidente para pôr fim a sua hostilidade em relação a Israel. Com o fechamento do acordo na semana passada para uma aliança com o Fatah, mais moderado, o Hamas pretende ser mais aceito pelos países ocidentais. Isso prejudicaria Olmert, já que a oposição de direita, liderada pelo ex-premiê Netanyahu, o critica por não ter derrotado definitivamente o Hamas em termos militares durante mais de seis anos de confrontos. Olmert acusou Netanyahu no Parlamento de ter ajudado inconscientemente o Hamas a se transformar numa organização com força em todo o Oriente Médio, e que conta com o apoio de pesos pesados como o Irã. "Este é o homem que libertou o xeque Yassin e deu ao Hamas a opção de crescer, graças às bobagens que aconteceram quando ele era primeiro-ministro", disse Olmert, segundo uma autoridade israelense. Ele se referia à libertação do fundador e mentor do Hamas Ahmed Yassin, em 1997 - uma medida para acalmar a Jordânia depois do fracasso de uma operação israelense para matar um outro líder do Hamas, Khaled Meshaal, em Amã. Netanyahu, que não esconde sua ambição de voltar ao posto, desqualificou a acusação e atacou Olmert por não ter rejeitado de pronto o acordo de unidade entre o Hamas e o Fatah, que seria obscuro demais em questões essenciais como o reconhecimento do Estado de Israel pelos palestinos. "Com sua fraqueza e confusão, o primeiro-ministro está prejudicando o Estado de Israel e, pior, está enfraquecendo os muros de isolamento que foram erguidos de forma tão diligente em torno do Hamas", disse Netanyahu a repórteres. Netanyahu deixou o governo do antecessor de Olmert, Ariel Sharon, em 2005, pouco antes de Israel ter retirado voluntariamente seus soldados e colonos da Faixa de Gaza. Ele achava que esse unilateralismo fortaleceria o Hamas. Depois da guerra no Líbano no ano passado, Olmert engavetou o plano de remodelar a ocupação na Cisjordânia. Não deve haver eleições parlamentares em Israel pelos próximos dois anos, mas uma pesquisa publicada pelo jornal Haaretz em janeiro mostrou que, se houvesse um pleito, o Kadima, partido de Olmert, conquistaria apenas 12 cadeiras, contra 29 para o Likud de Netanyahu, em um Parlamento de 120 cadeiras. O Hamas surgiu durante a primeira revolta palestina (1987-1993), e depois ocupou as manchetes do mundo todo com uma onda de ataques suicidas que visavam atrapalhar os acordos interinos de paz entre Israel e a Organização pela Libertação da Palestina (OLP), de natureza mais laica. Antes dessa reaproximação, Israel considerava o Hamas um rival útil para a OLP. Historiadores dizem que autoridades israelenses muitas vezes faziam vista grossa para islamitas de Gaza - os precursores do Hamas - no início dos anos 1980 para alimentar as tensões internas entre as facções.

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