Itália aceita refugiados africanos, mas prende alemães

Depois de semanas em alto-mar, num limbo legal, o navio de um grupo humanitário alemão com 37 refugiados africanos a bordo obteve permissão para atracar na Itália - mas dois agentes humanitários foram presos e o governo italiano levantou suspeitas quanto à origem dos refugiados. O grupo alemão Cap Anamur diz que seu navio encontrou um bote à deriva com os 37 homens em 20 de junho. Segundo os alemães, alguns dos náufragos identificaram-se como fugitivos de Darfur, região do Sudão devastada por conflitos étnicos. O navio com os africanos a bordo passou por Malta e dirigiu-se à Sicília, onde for proibido de atracar, dando início a um debate entre Itália, Alemanha, Malta e organizações internacionais sobre quem deveria se responsabilizar pelos refugiados.A Itália cedeu à pressão internacional nesta segunda-feira e permitiu que a Cap Anamur atracasse em Porto Empedocle, no sul da Sicília. A primeira reação foi de alegria, entre os imigrantes e nos vários grupos que exigiram que a Itália os aceitasse. ?Finalmente, humanidade vence?, diz a manchete do jornal do Vaticano.Horas mais tarde, tudo mudou: a polícia italiana anunciou a prisão do capitão do navio, Stefan Schmidt, do líder do grupo alemão, Elias Bierdel, e de um membro da tripulação, todos acusados de promover imigração ilegal. As autoridades italianas alegam que os refugiados revelaram-se não sudaneses fugindo do conflito, mas ?ganeses e nigerianos?.

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