Itália aprova uso de remédio abortivo e Igreja protesta

Após anos de debate e apesar da dura oposição do Vaticano, a Itália aprovou ontem o uso do medicamento abortivo RU-486. A Agência de Drogas Italiana informou, em comunicado, que a pílula pode apenas ser tomada até a sétima semana de gestação, e não até a nona semana, como em outros países. Ela não poderá ser vendida em farmácias, apenas administrada por médicos em hospitais. O medicamento interrompe a gravidez ao fazer com que o embrião se descole da parede uterina. A decisão deve entrar em vigor em dois meses.

AE-AP, Agencia Estado

31 de julho de 2009 | 16h01

A Igreja Católica advertiu sobre a imediata excomunhão para os médicos que prescreverem a pílula e para as mulheres que a usarem. A entidade condena o aborto e o uso de métodos contraceptivos. O monsenhor Elio Sgreccia, um importante estudioso da bioética da Igreja, afirmou que "esse não é o modo de ajudar a humanidade". Sgreccia qualificou o RU-486 "não como um medicamento, mas um veneno". A pílula já está disponível em vários países europeus. Sua aprovação pelas autoridades de regulamentação de remédios italianas foi elogiada por grupos de mulheres e organizações. Essas entidades afirmam que, com a aprovação, as mulheres terão uma nova opção, não invasiva.

A Itália legalizou o aborto até o terceiro mês de gravidez em 1978, após uma longa batalha entre as forças seculares e a Igreja Católica. O aborto após o terceiro mês é autorizado apenas em casos de grave risco para a mulher. Desde 2000, o país já autoriza o uso da chamada "pílula do dia seguinte". O medicamento impede que o óvulo fertilizado se implante na parede uterina e se torne um embrião.

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