Orietta Scardino/ANSA via AP
Orietta Scardino/ANSA via AP

Itália bloqueia imigrantes em navio da própria Guarda Costeira

Sobreviventes de naufrágio no Mediterrâneo estão retidos no Porto de Catane, na Sicília, por ordem do ministro do Interior, Matteo Salvini

Andrei Netto CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

21 Agosto 2018 | 17h28

O governo populista da Itália está se recusando a receber em seu território 177 imigrantes resgatados do Mediterrâneo pela própria Guarda Costeira do país. O novo impasse envolve o navio Diciotti, embarcação oficial que salvou náufragos nas águas territoriais italianas. 

O resgate dos estrangeiros, uma obrigação pela legislação internacional, foi realizado pelos agentes italianos, mas o ministro do Interior, Matteo Salvini, do partido de extrema direita Liga, se recusa a cumprir outra obrigação internacional, a de receber os sobreviventes em seu território. 

A tripulação do navio Diciotti recolheu os náufragos na noite de 15 para 16 de agosto, entre a costa de Malta e a ilha italiana de Lampedusa. A decisão foi tomada sem que o governo fosse consultado, o que levou Salvini e acusar a Guarda Costeira de desobedecer a orientação do Estado sobre a imigração no Mediterrâneo. Um mês antes, a mesma tripulação já havia salvado 450 imigrantes à deriva e levado o grupo para o território italiano, onde têm o direito de solicitar refúgio.

Desta vez, Diciotti teve de ficar estacionado durante cinco dias ao largo da ilha de Lampedusa, sem autorização para acostar. O porto de Catane, na Sicília, foi aberto à embarcação, mas os imigrantes foram proibidos de desembarcar. O governo italiano faz pressão para que a ilha de Malta abrigue os candidatos a refugiados, ou que a União Europeia busque uma solução.

“Agora a Europa deve se apressar para fazer sua parte”, afirmou o ministro dos Transportes, Danilo Toninelli, via sua conta no Twitter.

O novo impasse, desta vez já em território italiano, lembra o ocorrido há uma semana com o navio Aquarius, utilizado pelas ONGs francesas SOS Mediterranée e Médicos Sem Fronteiras (MSF) para socorro a imigrantes. 

Então 141 estrangeiros socorridos tiveram de aguardar em alto-mar que uma negociação multilateral liderada pela França e por Malta para encontrar um destino para a embarcação, já que a Itália havia fechado seus portos. O país não entrou nem sequer no acordo de compartilhamento dos candidatos a refugiados, que serão divididos entre a França, a Alemanha, Luxemburgo, Espanha e Portugal.

 

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