Itália busca solução para impasse político

O impasse político da Itália foi prolongado por pelo menos mais um dia depois que o presidente do país, Giorgio Napolitano, decidiu ganhar tempo para descobrir se ainda há alguma maneira de formar um governo e evitar o espectro das eleições em alguns meses. Uma possibilidade que pode surgir é a de que o presidente nomeie uma figura nova e apartidária para liderar um gabinete capaz de atrair uma maioria parlamentar.

Agência Estado

29 de março de 2013 | 18h09

O Partido Democrático, de esquerda, e os conservadores da sigla Povo da Liberdade indicaram em breves declarações após as conversas desta sexta-feira que, considerando a situação da economia da Itália e a necessidade de reformas urgentes, estariam dispostos, mesmo a contragosto, a apoiar a um governo de vários partidos liderado por um nome respeitável escolhido pelo presidente.

Napolitano falou durante toda esta sexta-feira com os partidos políticos italianos na esperança de que poderia quebrar o impasse político que assola a Itália desde as inconclusivas eleições nacionais do mês passado. O escritório de Napolitano indicou que o chefe de Estado espera oferecer algum tipo de solução antes da Páscoa, ou seja, o chefe de Estado pode fazer um anúncio no sábado (30). Durante as negociações desta sexta-feira, as posições dos principais partidos da Itália pareciam não ter mudado, o que significa que Napolitano pode estar pensando em novas opções.

As consultas desta sexta-feira ocorreram depois de o líder de esquerda Pier Luigi Bersani não ter conseguido, durante a semana, reunir apoio parlamentar suficiente para formar um novo governo, liderado pelo Partido Democrático. Bersani não conseguiu persuadir o Movimento Cinco Estrelas, que conquistou mais de 25% dos votos nas eleições de fevereiro, a apoiar um novo governo liderado por ele.

Se ninguém conseguir reunir apoio para formar um novo governo, novas eleições no início do segundo semestre podem ser inevitáveis. A situação incomum destaca o problema enfrentado pela Itália: cada dia de incertezas políticas adia a resolução das sérias questões econômicas do país, dentre eles uma série de dívidas, e pode inquietar ainda mais os mercados, já bastante agitados com os problemas no Chipre e em outros países.

O Movimento Cinco Estrelas, liderado pelo ex-comediante Beppe Grillo, reiterou nesta sexta-feira que não vai cooperar com nenhum dos partidos tradicionais. Por sua vez, Bersani descartou uma coalizão com Berlusconi, que lidera o grupo de centro-direita. Mas, em uma breve declaração a jornalistas, o vice-chefe do Partido Democrático, Enrico Letta, disse que sua sigla "em nome da responsabilidade, daria o seu apoio a qualquer decisão" que Napolitano propusesse. Berlusconi defende que um governo bipartidário é a única forma de avançar.

O partido de Bersani e outras legendas aliadas têm a maioria das cadeiras na câmara baixa do Parlamento, nas não no Senado, onde o Partido da Liberdade, de Berlusconi, e o Movimento Cinco Estrelas controlam uma significativa parcela dos assentos.

De acordo com uma nova pesquisa publicada pela SWG, o bloco conservador de Berlusconi obteria o maior porcentual de votos, 32,5%, se as eleições fossem realizadas hoje. A coalizão de Bersani ficaria com 29,6%, enquanto o Movimento Cinco Estrelas teria 24,8%. Os indecisos ou aqueles que dizem que não votariam somaram 37% do total de entrevistados, disse a empresa de pesquisa, em comunicado. As informações são da Dow Jones.

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