Itália: câmara rechaça prisão de deputado acusado

A Câmara dos Deputados da Itália rechaçou nesta quinta-feira a retirada da imunidade parlamentar de Nicola Cosentino, um parlamentar do Partido do Povo da Liberdade (PDL, na sigla em italiano) do magnata e ex-primeiro-ministro do país, Silvio Berlusconi. Cosentino é acusado pela promotoria de ter associação ilícita com a Camorra, a máfia napolitana. Os promotores haviam pedido à Câmara a prisão de Cosentino, que foi funcionário do Ministério das Finanças durante o terceiro governo de Berlusconi, que durou até o final de 2011.

AE, Agência Estado

12 de janeiro de 2012 | 16h15

Cosentino é acusado, segundo a Justiça, de ter desempenhado um papel "essencial" na liberação de financiamento do governo para um projeto de construção de um shopping center, o qual seria de empreendedores da Camorra, informa a agência France Presse (AFP). A Câmara rechaçou a retirada da imunidade parlamentar de Cosentino por 309 votos contra a detenção do parlamentar e 298 a favor. Aliados do PDL trocaram apertos de mão e tapinhas nas costas após a votação.

"Essa foi a decisão certa e foi tomada em linha com a Constituição", disse Berlusconi, que por sua vez é réu atualmente em três processos na Justiça, por suborno, evasão fiscal e ter feito sexo com uma prostituta menor de idade. "O julgamento irá em frente como o normal na Justiça e o parlamentar irá responder como um homem livre, esse é o seu direito", disse Berlusconi.

Cosentino, que já teve que se defender de outras acusações de ligações mafiosas no passado, é apontado pelos promotores como o elo de ligação entre o clã Casalesi, da província de Caserta, e políticos em Roma. O clã dos Casalesi, descrito pelo escritor e jornalista Roberto Saviano no livro Gomorra, é considerado um dos mais sangrentos da Camorra. No mês passado, a polícia italiana deteve 47 acusados de extorsão, fraudes eleitorais e lavagem de dinheiro em Nápoles e Caserta.

As informações são da Dow Jones.

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