Itália coloca soldados nas ruas para combater a criminalidade

Medida adotada por Berlusconi é denunciada como golpe publicitário; imigrantes ilegais na mira

O Estadao de S.Paulo

05 de agosto de 2008 | 00h00

Mais de mil soldados foram enviados ontem a cidades de toda a Itália para ajudar a polícia a combater o crime, por ordem do primeiro-ministro Silvio Berlusconi. Este uso pouco ortodoxo das Forças Armadas foi criticado energicamente como um golpe publicitário.O envio dos soldados, cujo número em breve chegará a 3 mil, foi a medida mais visível na campanha em defesa da lei e da ordem adotada pelo político conservador, eleito em abril com a promessa de tornar o país mais seguro. Os soldados foram enviados a Roma, Milão, Turim e Palermo com a ordem de patrulhar as ruas juntamente com a polícia e de ajudar a proteger pontos "sensíveis", como as embaixadas e consulados."Acho ótimo. Espero que isso resolva as coisas e elimine em parte a criminalidade", disse Vittoria Rosati, de Roma, enquanto os soldados em uniforme de camuflagem montavam guarda a uma estação de metrô.CRÍTICASOs turistas em visita a Roma não os verão diante de monumentos históricos como o Coliseu, pois o prefeito disse que os soldados armados poderiam assustar os visitantes. Alguns críticos disseram que uma força simbólica de 3 mil soldados poderia fazer muito pouco, ou mesmo nada, para reduzir o crime, enquanto outros fizeram objeções ao uso de militares no policiamento das cidades.Achille Serra, ex-secretário de Segurança de Roma, considerou o envio dos soldados "inútil e ineficaz". Atualmente, ele é senador da oposição de centro-esquerda. "Não podemos esquecer de que não estamos em Beirute. E me pergunto o que fará um soldado no caso de furto ou de agressão à mão armada", disse em entrevista a um jornal.Segundo o ministro da Defesa, Ignazio La Russa, a simples presença das Forças Armadas é suficiente para desencorajar os criminosos. "Os cidadãos sabem que o fato de as Forças Armadas estarem nas ruas já é um elemento de dissuasão."Militares italianos atuam no exterior, em países como o Líbano e o Afeganistão, mas as Forças Armadas já assumiram no passado tarefas para preservar a segurança interna, até mesmo para fazer frente à violência da máfia na Sicília, em 1992, após os assassinatos dos juízes Paolo Borsellino e Giovanni Falcone. "Em 1992, somente para a Sicília foram enviados 20 mil homens. Hoje, para toda a Itália, há 3 mil", disse o ex-comandante das Forças Armadas general Mario Busceni, em entrevista ao jornal La Repubblica. "Evidentemente, dessa vez, seu apoio às forças policiais será menor, basicamente simbólico."O atual secretário de Segurança de Milão aplaudiu o envio dos soldados, que, segundo ele, liberarão efetivos da polícia. Para o prefeito da cidade de Bari, no sul da Itália, os soldados servirão para "tranqüilizar" os cidadãos.Os soldados também foram destacados para guardar centros de detenção onde se encontram imigrantes ilegais, aos quais é atribuída a maior parte dos crimes no país. Os imigrantes de um centro no sul da Itália aproveitaram a atenção da mídia para fazer um protesto e denunciaram sua situação deplorável, agitando papéis com frases como "Precisamos da atenção da ONU".

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