Alberto Pizzoli/AFP
Alberto Pizzoli/AFP

Itália começa a sepultar vítimas de terremoto

Número de mortos sobe para 281; equipes de busca ainda procuram sobreviventes 

Andrei Netto ENVIADO ESPECIAL / ASCOLI E AMATRICE, ITÁLIA, O Estado de S. Paulo

26 Agosto 2016 | 20h55

A Itália começou nesta sexta-feira a enterrar os mortos do terremoto, que deixou 281 mortos e 387 feridos ainda internados em hospitais da região central do país. O primeiro sepultamento foi em Roma, e amanhã ocorrerão funerais com homenagens de Estado a cerca de 40 das vítimas em Ascoli Piceno, cerca de 30 km do epicentro do tremor. 

Em todo o país, os italianos viverão um luto nacional, enquanto nos vilarejos afetados as buscas continuam, com esperanças mais reduzidas de se encontrar sobreviventes.

A primeira vítima sepultada hoje foi o filho de um funcionário de alto escalão do governo italiano, cuja família residia em Amatrice, a cidade mais afetada pelo terremoto, onde mais de 200 pessoas morreram. Marco Santarelli tinha 28 anos e passava férias na região montanhosa. Na madrugada da tragédia, o imóvel no qual dormia desmoronou, como ocorreu com mais de um terço das construções da cidade. 

Horas depois, outros seis mortos no terremoto foram enterrados na cidade de Pomezia, também próximo a Roma. Entre eles estavam um menino de 8 anos e dois jovens de 14 e 15 anos. Amanhã, as despedidas se intensificam, com os sepultamentos em Ascoli Piceno, uma cidade que escapou da tragédia sem sofrer estragos, mas cuja população também vive o estresse da ameaça permanente. 

Segundo o Ministério do Interior, que coordena os trabalhos da defesa civil, do Corpo de Bombeiros e das equipes do Exército que auxiliam nas buscas, até hoje 181 dos mortos foram identificados. Entre eles estão 21 crianças com idade a partir de 5 anos. A pessoa mais idosa identificada até aqui tinha 93 anos. Além de italianos, há romenos, britânicos, um espanhol, um canadense e um albanês entre os mortos. Entre turistas romenos de passagem pela região há 17 considerados desaparecidos.

A busca por sobreviventes continuou hoje não apenas em Amatrice, mas também em Accumoli, Arquata del Tronto e Pescara del Tronto, as mais afetadas. Mas, com o passar do tempo, as esperanças de se achar sobreviventes nas ruínas começam a se reduzir. “Só um milagre pode permitir a nossos amigos sair vivos dos escombros”, admitiu o prefeito de Amatrice, Sergio Pirozzi. No entanto, ele reiterou que os trabalhos prosseguirão por tempo indeterminado em busca de 15 moradores cujo paradeiro é desconhecido. 

No relato dos sobreviventes a palavra mais recorrente é “medo”, mas entre aqueles que vieram prestar seu apoio aos parentes e amigos da região, a esperança ainda é mais forte. “Ainda temos esperança de encontrar sobreviventes em Amatrice”, disse ao Estado Fabrizio Micozzi, voluntário no auxílio aos desabrigados. 

Enquanto as equipes de resgate trabalham dia e noite, as réplicas do terremoto não cessam. Hoje, um novo tremor foi sentido no final da madrugada no horário europeu. O sismo teve 4,8 graus na escala Richter e foi sentido mais uma vez em Amatrice, mas também em cidades próximas, como Montereali, a 25 quilômetros, e Rieti, a 66 quilômetros. Em toda a região, mais de 2,5 mil desabrigados foram enviados para acampamentos montados pela defesa civil.

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