Itália condena cientistas que não previram terremoto

Um tribunal italiano condenou nesta segunda-feira sete cientistas sismólogos por homicídio culposo (sem intenção de matar), ao não terem previsto e alertado os cidadãos sobre o terremoto que devastou a cidade de L''Aquila em 2009, matando mais de 300 pessoas. Os sete cientistas foram condenados a seis anos de prisão cada um e terão que pagar uma indenização conjunta de 7,8 milhões de euros, informou a agência Ansa. Eles pretendem recorrer da decisão, tomada em primeira instância. A ex-governadora da província de L''Aquila, Stefania Pezzopane, comemorou a decisão.

AE, Agência Estado

22 de outubro de 2012 | 16h41

O juiz Marco Billi, do tribunal da L''Aquila, capital da região dos Abruzzi (Itália central) disse que os sete condenados também terão que pagar as despesas judiciárias, que somam 100 mil euros, e ficarão perpetuamente impedidos de ocuparem cargos no serviço público. Os sete faziam parte da chamada comissão de "Grandes Riscos", formada pelo governo italiano para prever terremotos, erupções vulcânicas, enchentes e outras catástrofes naturais e tentarem alertar antes a população.

"Eu me sinto inocente frente aos homens e a Deus", disse um dos cientistas condenados, Bernardo De Bernardinis, ex-funcionário da Agência Nacional de Proteção Civil.

"Me sinto desesperado, aviltado. Pensei que seria absolvido. O pior é que ainda não entendo do que fui acusado", disse Enzo Boschi, um dos sete cientistas condenados hoje. Boschi foi presidente do Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia (Ingv). Boschi é um dos vulcanologistas mais conhecidos e famosos da Itália e da Europa.

O julgamento começou em 2011 em L''Aquila, cujo centro histórico destruído pelo terremoto de 2009 ainda permanece em parte devastado.

"A sentença é incompreensível, tanto no direito quanto na avaliação dos fatos", disse o advogado Marcello Petrelli, defensor do professor Franco Barbieri. "É uma sentença que será insustentável ao apelo", afirmou à agência Ansa.

"Não existem comentários a serem feitos, a não ser os do juiz que leu a sentença. O fio condutor não foi a busca dos culpados, queríamos apenas compreender os fatos", disse o promotor Fabio Picuti. "L''Aquila consentiu que o processo fosse aberto e que chegasse a uma sentença", afirmou.

A ex-governadora da província comemorou a sentença. Segundo ela, os cientistas da comissão estiveram alguns dias em L''Aquila antes do terremoto que devastou a cidade em 6 de abril de 2009. O terremoto de 6,3 graus matou 308 pessoas e destruiu o centro medieval de L''Aquila, cidade fundada no século XIII. Os sete cientistas foram acusados no indiciamento de dar informações "inexatas, incompletas e contraditórias" sobre se os pequenos tremores sentidos em L''Aquila antes do 6 de abril, durante semanas, eram o prenúncio de um sismo devastador, que realmente ocorreu naquele dia.

"Eu denuncio o engano e a futilidade da Comissão de Grandes Riscos. Hoje, mais do que nunca, sinto toda a dor pela trapaça que nós sofremos", disse a ex-governadora Stefania Pezzopane.

As informações são da Associated Press e da agência Ansa.

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