REUTERS/Antonio Parrinello
REUTERS/Antonio Parrinello

Itália condena tunisiano por naufrágio que matou quase 700 imigrantes

Incidente ocorreu em abril de 2015, quando o barco pesqueiro afundou na costa da Líbia; advogado diz que vai recorrer

O Estado de S.Paulo

13 Dezembro 2016 | 17h00

 CATÂNIA, ITÁLIA - Um tunisiano acusado de ser o capitão de um barco de imigrantes que naufragou e matou quase 700 pessoas foi considerado culpado de homicídios múltiplos e tráfico de pessoas nesta terça-feira e sentenciado a 18 anos de prisão.

Só 28 pessoas sobreviveram ao desastre ocorrido em abril de 2015, quando o pequeno barco pesqueiro afundou na costa da Líbia com centenas de pessoas presas no porão de carga.

Mohammed Ali Malek, de 28 anos, foi um dos resgatados e negou ser o capitão, dizendo ter pago pela passagem como todos os outros, mas um tribunal da cidade italiana de Catânia rejeitou sua defesa.

A corte também condenou o sírio Mahmud Bikhit, de 26 anos, a 5 anos de prisão por acusações de tráfico de pessoas. Sobreviventes disseram que Bikhit era um ajudante de Malek. Ele negou ter feito qualquer coisa errada.

Os dois também receberam multas de 9 milhões de euros. Seus advogados disseram que apelarão das sentenças. "Achamos que temos alguns argumentos fortes e tentaremos trabalhar em alguns dos pontos mais fracos de nossa defesa", disse Massimo Ferrante, que representa Malek.

A revolta com o incidente levou a União Europeia a intensificar sua missão de busca e resgate no Mar Mediterrâneo dias após o naufrágio.

Nos últimos três anos, cerca de meio milhão de barcos de imigrantes chegaram às praias da Itália, e quase 12 mil pessoas morreram no Mediterrâneo tentando chegar à Europa, de acordo com a Organização Internacional para as Migrações (OIM).

No início deste ano, uma embarcação deste tipo afundou na rota mediterrânea, matando cerca de 500 pessoas. Os sobreviventes foram levados à Grécia. Uma investigação da Reuters descobriu que nenhum organismo oficial, nacional ou multinacional, fez acusações pelas mortes, nem sequer abriu um inquérito. / REUTERS

 

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