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Itália corre para resgatar soterrados de terremoto que matou mais de 250

Em Pescara del Tronto, equipes retiraram menina de 10 anos dos escombros; tremores secundários passam de 700 e chegaram a até 4,3 graus na escala Richter

Andrei Netto, Enviado Especial / Amatrice, Itália, O Estado de S.Paulo

26 Agosto 2016 | 05h00

Equipes da defesa civil, do corpo de bombeiros e do Exército da Itália correm contra o tempo para salvar dos escombros possíveis sobreviventes do terremoto que abalou a região de Úmbria. Mais de 48 horas após a tragédia, o último balanço do Ministério do Interior indicou que 250 pessoas morreram e 365 ficaram feridas – a maior parte no vilarejo de Amatrice, que foi devastado. 

Nesta quinta-feira, em meio a mais de 700 tremores secundários, que chegaram a até 4,3 graus na escala Richter, uma menina de 10 anos foi encontrada viva sob os escombros. Os trabalhos das equipes de socorro continuaram por toda a madrugada, seguiram sem interrupção durante o dia e invadiram a noite em busca dos desaparecidos. 

Mais de 400 socorristas vindos de diversas regiões da Itália e também de outros países, como Espanha, se somam aos voluntários que trabalham nos escombros. Ao longo da noite, grandes refletores de uso militar foram acesos para iluminar os prédios destruídos e permitir que o resgate prosseguisse, em cidades que não têm mais energia elétrica, água potável ou qualquer infraestrutura. 

Cercado de jornalistas de vários países, Carlo Cardinale, um dos porta-vozes dos bombeiros, foi taxativo sobre o que está em jogo em Amatrice. “Cada hora conta e não podemos desacelerar nossos esforços”, afirmou. Um dos pontos de maior preocupação é a região do Hotel Roma, onde estavam mais de 70 pessoas na noite da tragédia. 

Foram resgatados do hotel 35 corpos, entre os quais os de várias crianças. “Na rua principal, sabemos que há muitas pessoas sob os escombros, mas só conseguimos resgatar cadáveres”, lamentou o bombeiro. 

A mobilização dos serviços de socorro só não foi maior em razão das réplicas do terremoto e do risco de novos desabamentos – que se confirmou ao longo do dia em Amatrice. Na madrugada de quinta-feira, entre as centenas de tremores que se seguiram ao terremoto de 6,2 graus, pelo menos três puderam ser sentidos com clareza. No meio da tarde, uma das réplicas chegou a causar pânico em várias localidades da região, além de ampliar a destruição.

Uma parte do patrimônio cultural da região de Úmbria foi destruída no terremoto, caso da Igreja de São Francisco, construída no século 14, que havia resistido ao último terremoto a atingir a área, em 1979.

Em meio à destruição, à movimentação de máquinas pesadas, ambulâncias, macas com corpos e aos latidos dos cães farejadores, moradores acompanhavam os trabalhos na esperança de que fosse possível encontrar sobreviventes. 

“Tudo que tínhamos foi destruído e perdemos muitos amigos. Deus salvou nossas vidas, mas levou muita coisa”, disse ao Estado uma moradora de Amatrice que acompanhava as buscas. “Eu respiro. Apenas isso. O restante se foi.” 

Outro sobrevivente, Alberto, também vagava entre os escombros em busca de respostas. Por suas contas, pelo menos dez amigos morreram na madrugada de quinta-feira, quando ele, acordado e na rua, escapou das pedras e dos pedaços de concreto que desabaram. “Aqui, morreu um amigo”, disse, apontando para os escombros de um prédio. Ao se aproximar de um amontoado de entulho, contou: “Vi uma parte da Igreja Sant’Agostino desabar aqui, a alguns metros de mim”.

Relatos semelhantes foram ouvidos pela reportagem nas imediações das três cidades mais destruídas: Amatrice, Accumoli e Arquata del Tronto. Outros testemunhos são ainda mais devastadores, como os de bombeiros que conseguiram retirar dos escombros duas crianças ainda vivas, Alfredino, de 11 anos, e Simone, de 7, mas que morreram instantes depois, vítimas dos graves ferimentos.

Na vizinha Pescara del Tronto, uma história de esperança emergiu da destruição: o resgate de Giorgia, de 10 anos, após mais de 17 horas soterrada ao lado da irmã, que não resistiu. Seus pés inertes foram encontrados em meio aos destroços de um dos prédios, mas ela estava viva. Coberta completamente por pó, permaneceu impassível nos braços de seu salvador entre aplausos e lágrimas. 

O primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, declarou estado de emergência e confirmou na noite de ontem a liberação de € 50 milhões para os primeiros auxílios aos desabrigados. “A prioridade imediata agora é continuar a trabalhar, assegurar que nossos compatriotas terão um lugar para dormir. Queremos que eles deixem as barracas o mais rápido possível”, afirmou o premiê. Ele garantiu que será realizada uma investigação sobre a qualidade dos prédios recentemente construídos na região, que não resistiram ao terremoto.

 

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