Itália decide hoje entre Berlusconi e Rutelli

Os italianos decidem hoje a quem confiar o governo do país nos próximos cinco anos. Decidem se renovam o mandato da coalizão de centro-esquerda que dirigiu com sucesso a Itália no delicado momento da passagem da lira para a moeda única européia, e agora sai com o candidato Francesco Rutellli, ou se arriscam uma mudança radical, confiando no projeto desenhado por Silvio Berlusconi e seus aliados do centro-direita. Berlusconi chega às eleições como favorito, mas Rutelli pode surpreender.A Casa das Liberdades - formada por Força Itália, ex-democratas-cristãos e ex-fascistas da Aliança Nacional, além dos separatistas da Liga do Norte - promete drástica redução dos impostos, mais segurança nas cidades, severo controle da imigração, 1,5 milhão de novos empregos, aumento das aposentadorias e grandes obras públicas, além da reforma administrativa e institucional do Estado.Num gesto teatral, o magnata e hábil comunicador Berlusconi assinou diante das câmeras de TV um "contrato com os italianos" - onde põe os principais pontos de seu programa, que prevê até mesmo reformas no Judiciário. Por exemplo, seria o Parlamento a indicar as prioridades da Justiça.A proposta provocou duras críticas e mau humor da magistratura com a qual o líder da direita tem um relacionamento complicado. Ele se diz vítima dos juízes - os togas vermelhas, que o estariam perseguindo por serem "ligados" à esquerda. Se for eleito, Berlusconi promete resolver nos primeiros cem dias de governo a questão do conflito de interesses.Há três especialistas internacionais trabalhando num projeto que vai definir como ele poderá governar sem que haja interferência de seus negócios privados. Caso fique tudo como está, Berlusconi terá o monopólio quase total da televisão na Itália, já que passaria a controlar, além dos seus três canais, os três da TV estatal.Durante a campanha eleitoral, dominada quase que completamente pelo líder de Força Itália, a coalizão de centro-esquerda, chamada Olivo, perdeu a oportunidade de divulgar de modo incisivo os sucessos obtidos durante os anos de governo. A inflação reduzida de 7% para 2,8%, a dívida interna que de 120% do PIB passou para 106%, menos sonegação de impostos, iniciativas no setor da assistência social.A plataforma de centro-esquerda, que compreende os Democráticos da Esquerda - ex-comunistas, socialistas e ex-democratas-cristãos, além dos Verdes -, baseia-se principalmente na continuidade do saneamento econômico, respeitando os parâmetros da União Européia. O candidato da coalizão, Francesco Rutelli, promete iniciativas para reduzir o índice de desemprego, privatizações e evitar cortes nos gastos da área social que, em sua opinião, estão na média européia.Com as atenções voltadas para os dois pólos - centro-esquerda e centro-direita -, os italianos pouco viram os pequenos grupos "não-alinhados" que, em caso de empate, podem ser determinantes. São partidos ou movimentos que devem conquistar 4% dos votos para obter uma cadeira no Parlamento e sobreviver.

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