Alessandro Bianchi / Reuters
Alessandro Bianchi / Reuters

Itália e Polônia se unem por uma 'nova primavera da Europa'

Na sua busca por parceiros conservadores na Europa, o vice-premiê italiano, Matteo Salvini, visitou a Polônia para estabelecer uma aliança contra a União Europeia

Redação, O Estado de S.Paulo

09 Janeiro 2019 | 21h22

VARSÓVIA - Na sua busca por parceiros conservadores na Europa, o vice-premiê italiano, Matteo Salvini, visitou nesta quarta-feira, 9, a Polônia. Ao lado do ministro do Interior polonês, Joachim Brudzinski, o chefe do partido ultranacionalista Liga disse que quer ver formada uma aliança eurocética para as eleições do Parlamento europeu, em maio. Segundo ele, Roma e Varsóvia unirão forças em favor de “uma nova primavera da Europa” e do “renascimento dos valores europeus”.

Segundo Brudzinski, ele e Salvini conversaram, numa reunião a portas fechadas, sobre migração e segurança das fronteiras na União Europeia (UE). O tema é sensível e central nas tensões dentro do bloco europeu, fragmentado diante do avanço de plataformas nacionalistas e de extrema direita em diversos países, incluindo Itália e Polônia.

Salvini também se reuniu com o líder do partido governista da Polônia, o populista Jaroslaw Kaczynski, com quem abordou o seu projeto de nova aliança. O governo polonês é dirigido pelo partido eurocético Lei e Justiça (PiS), que também reclama seu direito de soberania e menos “intromissões” da União Europeia nos assuntos nacionais.

O mesmo tom é adotado por Salvini, que acumula os cargos de vice-premiê e ministro do Interior na Itália. Seu partido, Liga, ascendeu ao poder no ano passado com uma forte campanha para barrar imigrantes vindos da África e expulsar os que já estão no país. Na sua coalizão governista com o antissistema Movimento Cinco Estrelas, ele vem assumindo a dianteira sobre seu homólogo, o também vice-premiê Luigi Di Maio, em relação a temas polêmicos, sobretudo a imigração e a integração europeia.

Não é a primeira vez que Salvini vai ao encontro de líderes de governo alinhados ao seu projeto ultranacionalista. Em agosto, ele se encontrou em Milão com o premiê da Hungria, Viktor Orbán. Rasgando elogios mútuos, os dois fizeram da ocasião uma chance para aumentar a pressão, numa frente conjunta, sobre seus vizinhos para frear a chegada de imigrantes e refugiados.

Orbán e Brudzinksi preocupam Bruxelas por suas políticas em relação ao Estado de direito e à imigração. Ambos são acusados por seus oponentes de levar a cabo uma guinada autoritária, sendo alvo de uma investigação da UE. A Polônia recebe 14,6 bilhões euros (R$ 62 bilhões) por ano dos fundos de infraestrutura da UE, e a Hungria recebe 4,16 bilhões de euros (R$ 17,67 bilhões). /AFP e REUTERS 

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