Itália exige colaboração de EUA para achar soldado assassino

Promotores de Roma disseram, nesta quarta-feira, que os Estados Unidos estão se negando a fornecer a identidade completa e o endereço do soldado americano que matou um agente do serviço secreto da Itália, num posto de checagem no Iraque, no ano passado.O promotor Ermínio Amelio identificou o soldado como sendo Mario Lozano, e afirmou que ele será indiciado pela morte do agente Nicola Calipari, atingido por disparos americanos quando seguia de carro para o aeroporto de Bagdá, em 4 de março, depois de conseguir a libertação da jornalista italiana Giuliana Sgrena. A jornalista e outro agente ficaram feridos."Os EUA nunca responderam a nenhum pedido nosso. Não recebemos qualquer cooperação", disse Amelio. "Eles nunca responderam, e não achamos que irão".Ele acrescentou que a polícia paramilitar italiana tentou localizar Lozano para comunicá-lo sobre o fim da investigação dos promotores, um passo antes do pedido de indiciamento por homicídio e tentativa de homicídio.Se o soldado não for encontrado, o julgamento se realizará sem ele. O incidente criou tensão nas relações entre a Itália e os EUA, e os dois países divulgaram relatórios separados sobre os disparos.A investigação do governo italiano, divulgada em maio, culpou autoridades militares americanas por não sinalizarem que havia um posto de checagem à frente na estrada. Ela também indicou que estresse, inexperiência e fadiga contribuíram para o ocorrido.Os americanos insistem que o carro estava correndo demais, o que alarmou os soldados. A Itália garantiu que o veículo estava em baixa velocidade.Especialistas policiais e balísticos chamados pelos promotores de Roma examinaram o carro e concluíram que ele viajava a velocidade menor do que a indicada pelos EUA e que apenas um soldado disparou contra o veículo.O incidente revoltou os italianos, que na maioria já se opunham à guerra no Iraque, e intensificou pedidos para a retirada do contingente italiano do país. Entretanto, o premier Silvio Berlusconi, que enviou 3.000 soldados ao Iraque depois da queda do presidente Saddam Hussein, insistiu que o caso não iria afetar o número de tropas nem a amizade de Roma com Washington.

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