Itália faz funeral coletivo para vítimas do terremoto

Familiares enlutados observavam os caixões adornados com lembranças dos mortos na despedida a cerca de 200 pessoas vítimas fatais do terremoto que devastou a região central da Itália, durante um funeral coletivo celebrado ao ar livre nesta sexta-feira. O Papa Bento XVI conclamou os sobreviventes a não abandonarem a esperança, em uma mensagem lida em seu nome durante a missa. O terremoto, com magnitude de 6,3 graus na escala Richter - o pior que atingiu a Itália em várias décadas -, matou 289 pessoas e deixou 30.000 desabrigados.

AE-AP, Agencia Estado

10 de abril de 2009 | 13h06

"Este é o momento de trabalharmos juntos", afirmou o papa em sua mensagem, lida por seu secretário, monsenhor Georg Gaenswein. "Apenas a solidariedade vai permitir que possamos superar esse teste doloroso".

Parentes consternados que estavam na primeira fileira arqueavam suas cabeças e mexiam seus ombros, enquanto choravam pelas vítimas. Alguns passavam as mãos sobre os ataúdes alinhados em uma área militar na cidade de L''Aquila, uma das mais atingidas pelo abalo sísmico. Outros mantinham os olhares fixos no mar de flores ao redor dos caixões. Bombeiros, policiais e outros integrantes das equipes de resgate permaneciam, solenemente, em frente a eles. Pelo menos 10 pessoas desmaiaram durante a cerimônia, segundo um médico presente.

Em meio às filas de caixões, cinco pequenos ataúdes com vítimas pequenas descansavam ao lado de seus parentes. Sobre eles estavam uma motocicleta de brinquedo e uma camiseta azul com um desenho do Piu-Piu. Entre as inúmeras vítimas, vinte eram crianças ou adolescentes. A mais nova delas era um bebê de completaria 5 meses no Domingo de Páscoa. Dois corpos foram encontrados no meio dos escombros enquanto eram feitos os preparativos para o funeral.

O secretário de Estado do Vaticano, o cardeal Tarcisio Bertone, conduziu o funeral coletivo. Por um breve momento, um imã - líder religioso muçulmano - assumiu a condução da solenidade para se dirigir aos parentes das vítimas muçulmanas. O primeiro-ministro Silvio Berlusconi e outros membros do governo estiveram entre os 10 mil presentes à cerimônia, realizada aos pés das montanhas cobertas de neve de Abruzzo. O funeral foi realizado ao ar livre porque nenhuma das igrejas da região estava suficientemente estável para abrigar os participantes. Hoje foi declarado dia nacional de luto na Itália.

O Vaticano fez uma concessão especial para que fosse realizada a missa em memória dos mortos nesta Sexta-feira da Paixão. Este é o único dia do ano em que não são realizadas missas pela tradição da Igreja Católica. O papa Bento XVI, que disse que o terremoto foi sentido no Vaticano, deve viajar à região após o feriado de Páscoa. (Patricia Lara)

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