Itália investiga rede de fotógrafos chantagistas

Na terra em que o termo "paparazzi" foi criado, enquanto promotores públicos trabalham para enquadrar uma rede de fotógrafos que utilizava fotos de famosos para fazer chantagens, os principais envolvidos no escândalo vêem sua conta no banco engordar.Reportagem publicada no site da rede americana ABC nesta segunda-feira, 9, revela como atuava Fabrizio Corona, o dono de uma agência de fotografia bastante conhecida na Itália que é acusado de chantagear VIPs com a ameaça de publicar fotos comprometedoras. Apesar de preso, Corona tornou-se ele mesmo uma celebridade, e a mídia e o público italiano acompanham seu caso com atenção mórbida. Enquanto isso, os lucros de sua empresa cresceram 40%.Segundo a ABC, trata-se de um escândalo recheado de "sexo, drogas, fama e traição", uma história que "qualquer leitor de tablóide gostaria de ler".Entre as supostas vítimas de Corona, estão o ídolo do Roma e da seleção italiana Francesco Totti, a filha do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, o porta-voz do atual premier italiano e muitos atores de TV e cinema, políticos e jogadores de futebol. Só na agência de Corona, cerca de 1.600 fotos foram encontradas.O fotógrafo e seus colegas - ente os 12 presos no caso - são acusados de convidar ricos e famosos para festas com drogas e aprendizes de celebridades. Segundo os promotores italianos, tudo era registrado, e as fotos mais sensacionalistas eram usadas para chantagear as vítimas. Corona se defende dizendo estar apenas dando às celebridades a oportunidade de comprar as imagens e fofocas pelo mesmo preço que elas seriam vendidas para as publicações. Em uma entrevista a uma TV italiana, ele explicou e justificou sua metodologia: "Por exemplo, eu convenço uma garota que quer aparecer nos jornais a sair com algum cara famoso. Esse famoso não sabe que alguém vai tirar uma foto sua, e vai com a moça. Que diferença faz se ele sabe ou não que vai ser fotografado? Ele saiu com ela do mesmo jeito". Ainda assim, conversas telefônicas registradas pelos promotores revelaram que Corona sabe os bem efeitos de seu trabalho. "Sim é verdade, eu arruíno vidas, eu sou um b*** e não me sinto culpado por isso", disse ele a sua mulher pelo telefone. Pego com um travestiO escândalo atingiu seu nível mais alto quando jornais italianos identificaram uma das vítimas das chantagens como sendo Silvio Sircana, o porta-voz do primeiro-ministro italiano, Romano Prodi. Sircana foi fotografado há algumas semanas enquanto conversava pelo janela do seu carro com um travesti. Para Prodi, Sircana foi "vítima de um ataque não deveria acontecer em países sérios".Agora, o principal promotor do caso, Henry John Woodcock, de 39 anos, está interrogando celebridades, executivos e garotas de programa sobre o caso. A repercussão é grande, e o governo já fala até em prender jornalistas que publicarem notícias que invadam a privacidade dos famosos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.