Itália: Letta sobrevive a voto de confiança

O governo italiano liderado por Enrico Letta manteve seu mandato hoje, após a decisão do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, líder do Partido do Povo da Liberdade (PDL), de confirmar seu apoio ao governo.

CARLO CAUTI, ESPECIAL PARA AE, Agência Estado

02 de outubro de 2013 | 18h34

Na manhã de hoje o governo enfrentou o voto do Senado sobre uma moção de confiança, solicitada por membros do Partido Democrático (PD), bancada de Letta, após a crise de governo desencadeada por Berlusconi. No começo da noite, a Câmara dos Deputados aprovou a moção de confiança ao governo.

No último dia 30 de setembro, o líder do PDL ordenou a saída dos cinco ministros de seu partido do gabinete e retirou o apoio ao governo. Em seguida, a grande maioria de parlamentares do PDL assinou uma carta de renúncia coletiva aos seus mandatos, o que exigiria novas eleições gerais na Itália.

Em um discurso anterior à votação no Senado, Letta alertou que "a Itália corre um risco que poderia ser fatal".

"Desvendar esse risco depende de nós, das escolhas que faremos, depende de um sim ou não", afirmou o chefe de governo, pedindo o voto de confiança. O primeiro-ministro italiano disse que "o governo nasceu no Parlamento e, se deverá morrer, deverá fazê-lo no Parlamento".

Entretanto, Berlusconi surpreendeu ao entrar no Senado e declarar que seu partido continuará apoiando o governo Letta, votando a favor da moção de confiança. "Juntando as expectativas e o fato que a Itália precisa de um governo que realize reformas institucionais e estruturais, decidimos, com muita dor interna, aprovar a confiança (no governo)", afirmou Berlusconi, em seu rápido discurso no Senado.

Antes do anúncio, o ex-primeiro-ministro italiano havia enfrentado uma rebelião entre seus aliados. Muitos senadores do PDL já tinham anunciado o voto em defesa do governo, contrariando a recomendação de Berlusconi. Ao apoiar o governo de Letta, Berlusconi também os surpreendeu.

Ao deixar o Palácio Madama, prédio onde fica o Senado, Berlusconi repetiu aos seus colaboradores que "não deu um passo para trás". Entretanto, "Il Cavaliere" foi vaiado pelas pessoas que aguardavam fora do prédio.

A decisão de continuar apoiando o governo Letta teria sido tomada por Berlusconi nos minutos que antecederam a votação, após verificar que mais da metade dos senadores do PDL não obedeceria suas ordens e que o partido iria dividido para a votação.

Berlusconi deu início à crise política que resultou na moção de confiança após a Suprema Corte confirmar sua condenação a quatro anos de prisão por fraude fiscal no processo Mediaset. Segundo a lei "ficha limpa" da Itália, um político condenado a mais de dois anos de prisão perde seu mandato.

Na próxima sexta-feira, a Comissão para Imunidades do Senado italiano votará a cassação de Berlusconi. Os parlamentares do PD que integram a comissão já anunciaram que votarão em favor da cassação do mandato, o que teria sido o estopim para a crise. A decisão final sobre a cassação de "Il Cavaliere" será tomada em 24 de outubro, quando sua expulsão do Parlamento será votada pelo plenário do Senado.

Ao término da votação, o governo Letta obteve 235 votos favoráveis, de um total de 315 senadores, garantindo dessa forma a continuação de seu mandato com ampla maioria parlamentar. Na Câmara, onde o primeiro-ministro tem maioria, seu governo obteve 435 votos a favor e 162 contra.

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