Itália: Monti descarta 'vazio político'

A Itália voltou ao centro das atenções na crise da zona do euro nesta segunda-feira, após o primeiro-ministro Mario Monti ter dito que renunciará ao cargo depois que o Parlamento votar o orçamento de 2013, o que deverá ocorrer até o final deste mês ou no começo de janeiro. Quando Monti renunciar, o presidente Giorgio Napolitano marcará eleições gerais, que deverão ocorrer em fevereiro do próximo ano. O ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, de 76 anos, declarou nesta segunda-feira que não teme enfrentar Monti nas eleições, se o economista decidir se candidatar, e também não teme a centro-esquerda - que recentemente lançou a candidatura de Pier Luigi Bersani, chefe do Partido Democrático (PD). Nesta segunda-feira, o prefeito de Florença, Matteo Renzi, rechaçou um convite de Berlusconi para juntar forças com o partido Povo da Liberdade (PDL, na sigla em italiano) do magnata da mídia.

AE, Agência Estado

10 de dezembro de 2012 | 18h41

Monti afirmou hoje em Oslo que os mercados financeiros não deveriam temer um "vazio político" na Itália. Segundo ele, o governo italiano "está mantendo todas as suas funções e continuará a mantê-las após o chefe de Estado (Napolitano) dissolver o Parlamento. O governo também continuará a funcionar até passar a administração a um novo governo", afirmou.

Renzi disse a Berlusconi que não tem interesse em mudar de lado. "Você pode comprar coisas, não pessoas, pelo menos não a mim", afirmou o prefeito florentino em uma declaração publicada no Twitter. Os jornais italianos informaram nesta segunda-feira Berlusconi anunciou seu plano para "vencer" as eleições gerais na próxima primavera (na Europa), tendo deixado uma porta aberta para Renzi, ao convidá-lo para se juntar a seu partido de centro-direita. "Feche a porta, está frio lá fora", afirmou Renzi.

A Bolsa de Valores de Milão fechou nesta segunda-feira em queda de 2,2% no índice FTSE-MIB, perdendo 345,21 pontos na jornada. O yield (taxa de retorno) dos bônus italianos de 10 anos voltou a subir hoje, em 0,26 pontos porcentuais para 4,79%. "A sucessão de Mario Monti será uma incerteza para a solução da crise na zona do euro, e a credibilidade das reformas econômicas na Itália, sem dúvida, sofrerá um forte escrutínio nos próximos meses", disse Geoffrey Yu, estrategista no banco suíço UBS.

O partido de Berlusconi declarou que o atual governo tecnocrata da Itália acabou, provocando a decisão de Monti de renunciar assim que o orçamento de 2013 for aprovado. A decisão foi anunciada no sábado. É provável que isso ocorra antes do Natal, o que significa que as eleições gerais no país deverão ser realizadas em fevereiro ou início de março, um mês antes do prazo original.

Renzi, que foi considerado um centrista em sua primeira batalha com o líder do Partido Democrático, Pier Luigi Bersani, pediu abertamente uma mudança de gerações na política italiana, um mensagem que intensificou o debate nacional, mas que acabou por ser rejeitada pelos eleitores no país demograficamente mais idoso da Europa.

As pesquisas de opinião indicam que o Partido Democrático, de Bersani, está muito à frente dos rivais, mas aquém dos votos necessários para conquistar uma maioria parlamentar por conta própria. O PDL de Berlusconi estava com 15% nas intenções de voto nas últimas pesquisas, publicadas em outubro. As eleições regionais feitas em outubro na Sicília foram vencidas por uma coalizão de centro-esquerda entre o PD e a Unione Democratica Cristiana (UDC, União Democrática Cristã, de centro), que obtiveram 31% dos votos. O PDL de Berlusconi obteve 24% dos votos. Segundo analistas, o desafio para a centro-esquerda italiana será formar uma coalizão com os democratas cristãos para derrotar Berlusconi em fevereiro no país inteiro.

As informações são da Associated Press, Dow Jones e Ansa.

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