Itália pensa em decretar emergência ambiental

Ministro quer verba para conter possível vazamento de combustível do Costa Concordia

LIVORNO, ITÁLIA, O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2012 | 03h01

A intensa oscilação a que o Costa Concordia foi submetido ontem, causada pela agitação do mar do entorno da Ilha de Giglio, onde o navio naufragou na sexta-feira, fez o ministro do Meio Ambiente italiano, Corrado Clini, alertar para um possível desastre ambiental caso as 2,3 mil toneladas de combustível que a embarcação carrega vazem no Mar Mediterrâneo.

"O risco ambiental para a Ilha de Giglio é muito, muito alto. O objetivo (das autoridades italianas) é evitar que o combustível vaze do navio. Estamos trabalhando para prevenir essa situação. Isso é urgente e o tempo está acabando", afirmou o ministro.

Como a embarcação havia acabado de zarpar do Porto de Civitavecchia para iniciar seu cruzeiro de uma semana pelo Mediterrâneo quando naufragou, seus tanques de combustível ainda estavam cheios.

O entorno da Ilha de Giglio é um parque natural marítimo conhecido por águas claras que abrigam uma variada vida submarina. A região é tida como um excelente local para a prática do mergulho.

Há vários anos, grupos ambientalistas têm exigido que as grandes embarcações sejam banidas do Arquipélago Toscano, que, além de Giglio, compreende as ilhas de Montecristo, Pianosa, Elba, Capraia e Gorgona.

"O desastre do Costa Concordia prova, infelizmente, a inconsistência do tipo de turismo que explora e esmaga a beleza da Itália", afirmou Alessandra Motol Molfino, presidente do grupo ambientalista Italia Nostra.

O ministro italiano do Meio Ambiente declarou que sua pasta poderá pedir um "estado de emergência", caso o combustível comece a vazar. A medida tem o objetivo de facilitar a liberação de verbas para combater um eventual desastre ambiental. De acordo com o ministro, um vazamento já foi detectado no Costa Concordia, mas não está claro se o líquido derramado no Mediterrâneo é o combustível do navio.

A Costa Cruzeiros contratou uma empresa holandesa de serviços marítimos para retirar o combustível do navio naufragado e boias foram instaladas para conter um eventual vazamento. A embarcação está encalhada em um leito marítimo com 15 a 20 metros de profundidade, mas pode escorregar para águas mais profundas, de acordo com especialistas.

"Estamos em uma fase de emergência, tentando prevenir a poluição", afirmou ontem o presidente da Costa Cruzeiros, Pier Luigi Foschi, em Gênova. "Não podemos negar que houve erro humano. A rota havia sido programada em Civitavecchia de maneira apropriada. O fato de o navio ter se desviado do trajeto não foi aprovado, autorizado ou comunicado."

Foschi afirmou que, ao contrário do que alega o capitão do navio, Francesco Schettino, as pedras em que a embarcação encalhou constam das cartas náuticas. Ele disse que o comandante deveria ter nas mãos uma versão menos detalhada dos mapas no momento do acidente. Schettino é acusado de homicídio culposo (não intencional) múltiplo, naufrágio e abandono de embarcação em perigo.

Com lágrimas nos olhos, Foschi defendeu a atuação dos tripulantes na operação de retirada do navio - que, segundo os passageiros, foi lenta e desorganizada. "Esses navios são ultrasseguros. Isso foi um evento excepcional, imprevisível", disse, tentando conter o choro. / AP, REUTERS e NYT

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