Manuel Silvestri/Reuters
Manuel Silvestri/Reuters

Itália planeja lançamento de ‘carteira de imunidade’ contra coronavírus

Empresas desenvolvem testes rápidos ao custo de € 5; ideia é tirar os trabalhadores que já têm anticorpos do isolamento

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2020 | 04h30

ROMA - O desenvolvimento de um novo teste nacional para verificar a presença de anticorpos contra o novo coronavírus é o primeiro passo na estratégia da Itália para entrar na chamada fase 2 da epidemia, aquela que deverá assistir ao começo da retomada econômica.

O teste permitiria aos italianos lançar uma espécie de “carteira de imunidade”. Essa é uma das hipóteses discutidas no Parlamento. 

O uso maciço dos exames, aliado a manutenção de máscaras e da distância social seriam as bases da reabertura. “É ilusório pensar em um mundo sem pessoas contaminadas dentro de um mês. As linhas sanitária serão decididas pelo comitê científico, que deve se guiar pelo caminho dos testes”, afirmou o ministro dos Negócios Regionais, Francesco Boccia ao jornal Il Sole 24 Ore.

Itália é um dos países mais afetados pela pandemia de coronavírus. No sábado, 11, o governo italiano registrava quase 150 mil infectados e 19 mil mortos.

Lucca Zaia, governador da região do Vêneto, vizinha à Lombardia, afirmou que os testes de anticorpos é a última barreira para a retomada. “Pense nos trabalhadores que poderão ter a certificação, porque imunizados poderão sair de casa tranquilos.”

Para pôr em prática o plano, a Policlínica San Matteo, de Pavia, desenvolveu o primeiro exame de sangue italiano para verificar a presença de anticorpos da covid-19.

A empresa DiaSorin anunciou ainda que deve ser a segunda a desenvolver o teste, que deve custar € 5. O resultado sai em uma hora. Os laboratórios afirmam que podem processar 500 mil deles por dia.

O teste, segundo os pesquisadores, serve para mostrar quem, depois do contato com o coronavírus, desenvolveu anticorpos, estando imunizado. Ele seria uma espécie de “carteira de imunidade”.

Para o presidente do Conselho Superior Sanitário da Itália, Franco Locatelli, também entrevistado pelo Il Sole 24 Ore, graças ao teste será possível ter um retrato fiel da epidemia. Esses dados serão usados para estabelecer “a retomada da atividade produtiva em algumas áreas”. 

A Itália conta com quase 150 mil casos de covid-19 e quase 20 mil mortos. Na quinta-feira, o primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, anunciou que o país permanecerá em quarentena até 3 de maio. Mas devem reabrir, no dia 14, livrarias, lojas roupas para bebês, fábricas de computadores e obras hidráulicas.

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Os negócios reabertos terão der ser limpos duas vezes por dia, manter o ambiente arejado e dispor de sistemas para desinfetar as mãos ao lado de teclados, telas e caixas. O uso de máscara será obrigatório em lugares fechados e se deve usar luvas descartáveis para compra e venda de alimentos.

O horário de funcionamento será ampliado e nos mercados, será permitida a entrada por vez de um cliente para cada 40 m² da loja. 

Em 3 de maio, a ideia é primeiro acabar com a quarentena das fábricas. “Devemos prestar muita atenção na fase 2. Se errarmos, teremos de recomeçar do zero”, disse o chanceler, Luigi di Maio à RAI. 

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