EFE/ Alessandro Di Marco
EFE/ Alessandro Di Marco

Itália estuda anular contrato com concessionária que administrava ponte em Gênova

Ministro de Infraestrutura e Transporte, Danilo Toninelli, disse que governo estuda possibilidade de rescindir concessão da Autostrade per l'Italia e aplicar multas de até € 150 milhões; autoridades também querem que diretores da empresa se demitam

O Estado de S.Paulo

15 Agosto 2018 | 10h48

ROMA - O governo da Itália anunciou nesta quarta-feira, 15, que estuda a possibilidade de anular o contrato de concessão com empresa que administra a rodovia na qual está localizada a ponte que desabou parcialmente na terça-feira em Gênova, deixando mais de 35 mortos.

"Para começar, os dirigentes da Autostrade per l'Italia (filial do Grupo Atlantia) devem se demitir. E, considerando que houve graves falhas, iniciamos os procedimentos para uma eventual revogação das concessões e para aplicar multas de até € 150 milhões", anunciou no Facebook o ministro de Infraestrutura e Transporte, Danilo Toninelli.

"Se eles não conseguirem administrar nossas rodovias, o Estado fará isso", afirmou Toninelli. Ainda de acordo com o ministro, "em um país civilizado não se pode morrer por uma ponte que desmorona". Ele também reiterou que os culpados "desta injustificável tragédia devem ser punidos".

"As empresas que administram nossas estradas embolsam os pedágios mais caros da Europa, enquanto pagam concessões a preços vergonhosos. Recebem bilhões, pagam uns poucos milhões de impostos e nem sequer realizam a manutenção necessária para pontes e estradas", reclamou.QXO4Gy

O ministro italiano adiantou que "o Fundo de Emergência da Proteção Civil será utilizado para restabelecer a área afetada".

Para a reconstrução da Ponte Morandi, que "necessitava manutenção há décadas, serão utilizados os recursos do Plano Econômico e Financeiro da Autostrade, que serão debatidos em setembro, e outros recursos procedentes de dois fundos dedicados a intervenções em infraestruturas".

Toninelli também falou que o governo desenvolverá "um verdadeiro Plano Marshall" para garantir o bom estado das infraestruturas do país e considerou que é dever do Estado "usar dinheiro público para a manutenção destas artérias vitais do país, em vez de gastá-lo em grandes obras inúteis".

O ministro de Interior, Matteo Salvini, também ameaçou a concessionária e disse que o mínimo que o Executivo deveria fazer é revogar o contrato com a Autostrade per l'Italia. "Uma empresa, como a que administra esse trecho da rodovia e tem milhões de lucro, deve explicar aos italianos porque não fez todo o possível para investir uma parte desse valor em segurança", disse Salvini à emissora Radio 24.

Erro humano

A Procuradoria de Gênova abriu uma investigação para esclarecer as causas do desabamento de parte da Ponte Morandi e não descarta que o incidente possa ter sido causado por erro humano.

"Não foi uma fatalidade, mas sim um erro humano", disse o procurador-geral de Gênova, Francesco Cozzi, em entrevista à emissora estatal Rai. 

O procurador explicou que a investigação terá como objetivo responder uma única questão: "por quê aconteceu (o desabamento)?". / AFP e EFE

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