REUTERS/Antonio Parrinello/File Photo
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Itália põe em prática ‘tolerância zero’ com imigrantes

Governo populista barrou navio humanitário com 629 imigrantes; ministro disse que país vai começar a ‘dizer não à imigração clandestina’

O Estado de S.Paulo

10 Junho 2018 | 21h08

SICÍLIA, ITÁLIA - A Itália se recusou a deixar um barco de resgate humanitário com 629 imigrantes atracar em qualquer um dos seus portos e indicou neste domingo, 10, que vai colocar em prática a política linha-dura para impedir a entrada de imigrantes ilegais prometida pelo governo populista eleito em março. Os italianos pediram à Malta para abrir suas portas à embarcação, provocando um mal-estar diplomático com a ilha mediterrânea, aliada italiana. 

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“A partir de hoje, a Itália começa a dizer ‘não’ ao tráfico de seres humanos, ‘não’ ao negócio da imigração clandestina”, escreveu em sua conta no Facebook Matteo Salvini, novo ministro do Interior italiano e líder da Liga, o partido de extrema direita que se aliou ao populista Movimento 5 Estrelas (M5E) para formar o novo governo do país. 

Os imigrantes foram resgatados pelo navio Aquarius, operado pelas ONGs SOS Méditerranée e Médicos Sem Fronteiras (MSF). A maioria tentava fazer a arriscada travessia da Líbia para a Europa, em embarcações precárias, pelo Mar Mediterrâneo. 

A MSF disse que os passageiros foram capturados em seis diferentes operações de resgate na costa da Líbia e centenas foram retirados do mar por unidades navais italianas. Entre os 629 resgatados estão 123 menores desacompanhados, 11 crianças e sete mulheres grávidas.

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O Ministério do Interior da Itália recusou autorização para o navio atracar no porto de Pozzallo, na Sicília, e enviou um comunicado “urgente” às autoridades de Malta, afirmando que o porto “mais seguro” para o navio Aquarius atracar era o da capital da ilha, Valeta. Segundo o comandante do Aquarius, Malta ofereceu apenas assistência marítima.

“No Mediterrâneo, há navios com bandeira da Holanda, Espanha, Gibraltar, Grã-Bretanha, há ONGs alemãs e espanholas, há Malta, que não acolhe ninguém; a França rechaça imigrantes na fronteira, a Espanha defende suas fronteiras com armas. Em resumo, ali está toda a Europa que cuida dos seus próprios assuntos”, afirmou Salvini. 

Malta disse que o resgate ocorreu em águas internacionais ao largo da Líbia e, pelas leis marítimas, as operações são coordenadas pela Itália. “Malta não é a autoridade competente nem coordenadora neste caso, e observará as leis vigentes”, disse seu governo.

Tolerância zero.

Salvini e o novo governo italiano parecem ter começado a cumprir suas promessas eleitorais de deter o fluxo de imigrantes para o país. Salvini, que além de ministro do Interior é vice-premiê, disse que seu objetivo é “garantir uma vida serena a estes garotos na África, e a nossos filhos, na Itália”. 

Salvini ganhou popularidade na Itália ao transformar a Liga, partido tradicional que lutava pela independência da Padânia, um conjunto de regiões no norte do país, em uma das mais fortes legendas de extrema direita da União Europeia, com um discurso de “tolerância zero” sobre a imigração.

Para frear o número de deslocados externos na Itália, ele e a Liga pregam uma equação que une a deportação de dezenas de milhares de pessoas sem documentos à redução drástica dos desembarques de navios que operam no Mediterrâneo.

Mais de 630 mil imigrantes chegaram à Itália de barco da África nos últimos cinco anos, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur). / AFP, REUTERS e EFE

 

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