Itália prende 5 homens suspeitos de matar imigrantes em travessia

Sobreviventes disseram que uma briga começou quando pessoas tentaram sair do porão por estarem passando mal com o calor

O Estado de S. Paulo

22 de julho de 2014 | 14h45

ROMA - A polícia italiana prendeu cinco homens nesta terça-feira, 22, por suspeita de assassinar e jogar ao mar dezenas de imigrantes que tentavam chegar ao país vindo da Líbia em uma embarcação. Outros três foram acusados de tráfico de imigrantes.

Sobreviventes disseram à polícia que uma briga começou quando as pessoas que estavam alojadas no porão, tentaram encontrar espaço no convés lotado porque estavam sufocando de calor e com a falta de oxigênio. Para manter os imigrantes no porão, os cinco homens esfaquearam e atacaram indiscriminadamente cerca de 60 imigrantes e depois os jogaram ao mar, segundo a polícia. Em seguida, ameaçaram os outros para que não reagissem.

Vinte e nove corpos foram recuperados no porão e outro passageiro morreu a caminho de um hospital italiano, provavelmente por envenenamento com monóxido de carbono, disse a Marinha no fim de semana.

Os corpos dos imigrantes jogados ao mar não foram encontrados, informou a força naval.

Um total de 561 imigrantes no barco foram resgatados e levados para a cidade siciliana de Messina, no domingo 20. De acordo com alguns imigrantes, as pessoas pagaram aos traficantes entre US$ 1 mil e US$ 2 mil por um lugar no convés e entre US$ 200 e US$ 500, no porão.

O excesso de calor e fumaça do motor levou as pessoas que estavam no porão a tentar sair. Quando foram empurrados para trás, a escada para o convés removida e o acesso fechado, eles se revoltaram, disse a polícia.

"Em questão de minutos, o calor se tornou insuportável e o ar era irrespirável em razão da fumaça do motor", disse a polícia em um comunicado. "O desespero levou os prisioneiros a forçar a abertura da porta e a subir na plataforma, onde a tragédia ocorreu."

De acordo com o testemunho de imigrantes, os cinco homens - dois marroquinos, um da Arábia Saudita, um sírio e um palestino - atacaram dezenas de pessoas com facas e jogaram algumas ao mar, enquanto amigos e parentes assistiam à cena, disse a polícia.

Como o mar Mediterrâneo é mais calmo durante o verão, um grande número de pessoas do norte da África tenta chegar ao litoral italiano. A Itália recolheu mais de 82 mil imigrantes este ano, em sua missão de busca e resgate chamada de "Mare Nostrum" (Nosso Mar) - cerca de 20 mil a mais do que durante todo o ano de 2013.

O número de mortos também está crescendo. No início de julho, a agência de refugiados da Organização das Nações Unidas (ONU) estimava que 500 imigrantes morreram no Mediterrâneo nos últimos seis meses, em comparação com 700 durante todo o ano passado. Corpos foram recuperados quase diariamente este mês. /REUTERS

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