Itália reconhece que acidente causou danos ambientais

Operação para retirada de combustível começa e aumenta temores de vazamento na região da Ilha de Giglio

ROMA, O Estado de S.Paulo

19 de janeiro de 2012 | 03h02

O governo italiano afirmou ontem que o naufrágio do navio Costa Concordia já causou danos ambientais à região da Ilha de Giglio e admitiu que existe o risco de um possível derramamento de combustível no mar ao longo da Costa de Tirreno.

"Existe um dano ambiental, muito contido, relativo ao fundo do mar na Ilha de Giglio", afirmou ontem o ministro do Meio Ambiente da Itália, Corrado Clini. "Estamos em uma situação limite, pois a embarcação está instável e teremos de agir depressa."

A empresa holandesa Smit Salvage será a encarregada de retirar as 2.380 toneladas de combustível da embarcação. O grupo já começou a instalar as máquinas que começarão a bombear o combustível nos próximos dias.

O representante da empresa na Itália, Max Iguera, afirmou que ainda é muito cedo para fazer uma estimativa precisa de quanto tempo o trabalho vai durar, mas disse que espera que a ação seja concluída entre duas e seis semanas.

De acordo com Iguera, a Smit Salvage utilizará um sistema que permite perfurar a chapa do compartimento onde está o combustível, sem que este vaze, para somente depois começar a extração e evitar a contaminação no meio ambiente.

O representante da empresa, porém, disse que os trabalhos para a remoção dos restos do navio de cruzeiro, que está tombado sobre seu lado direito a 50 metros da costa, necessitarão de "alguns meses".

A Smit Salvage ainda não fechou um contrato para resgatar os restos do Costa Concordia, mas é uma empresa com experiência em desastres marítimos. Foi ela a responsável por retirar do fundo do mar o submarino russo Kursk, que naufragou em agosto de 2000 com 118 tripulantes a bordo.

Clini, o ministro italiano, disse que a retirada do navio naufragado na região da Ilha de Giglio vai, "obviamente", demorar bastante tempo por ser uma operação "muito perigosa". "O risco de dispersão do combustível no mar, que poderia contaminar não só a zona do naufrágio, mas também toda a costa, dependerá muito das correntes marítimas", afirmou Clini.

Segundo ele, a Itália já recebeu ofertas da França e da Alemanha para colaborar na gestão da catástrofe. Clini deve decretar estado de emergência na região após uma reunião do Conselho de Ministros prevista para hoje. / AP e EFE

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