Itália resgata, da Idade Média, roda de bebês abandonados

A Itália reinventou a roda para salvar recém-nascidos de serem jogados nas latas de lixo. De acordo com a ministra da Família, Rosy Bindi, todo hospital na Itália deverá ter uma versão moderna da ?roda de bebês abandonados?, usada na Idade Média por conventos e igrejas, onde recém-nascidos indesejados eram deixados.No fim de semana, um bebê foi abandonado numa portinhola de vidro instalada num hospital da periferia de Roma. A pessoa que deixou a criança entrou numa sala cujo acesso só é possível pelo lado de fora, abriu a portinhola e depositou o bebê num berço ali colocado.Sensores detectaram o movimento no berço, e os médicos do Hospital Casilino chegaram em 40 segundos.As rodas de bebês abandonados da Idade Média eram cilindros de madeira instalados nos muros de conventos e igrejas. Freiras retiravam o recém-nascido, cuidavam da criança e depois buscavam família para ela.?Espero que a mãe do menino deixado no Hospital Casilino encontre coragem para reconsiderar o que fez. Se precisar de ajuda, nós estaremos aqui?, disse Bindi. ?De qualquer maneira, essa decisão dolorosa aconteceu num ambiente seguro.? Rosy Bindi disse que falará com a ministra da Saúde, Livia Turco, para que o sistema seja disponibilizado em todas as maternidades do país.A primeira roda para bebês abandonados teria sido instalada em Roma em 1198 por ordem do papa Inocêncio III, alarmado com o número de recém-nascidos apanhados nas redes de pescadores no Rio Tibre. Essa ordem papal foi abolida oficialmente por Benito Mussolini, em 1923.Santa CasaDurante 125 anos, de 1825 a 1950, a Roda dos Expostos recolheu crianças abandonadas por mães paulistanas, na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Num dos muros da instituição, voltado para a Rua Dona Veridiana, um cilindro oco de madeira (fechado de um dos lados), era usado para que as mães deixassem ali os bebês que não podiam criar.Os abandonados ficavam apenas um dia no hospital, depois eram levados para o Asilo do Pacaembu. Muitos vinham identificados, com bilhetes das mães e até registros de nascimento.A mortalidade, no entanto, era alta - cerca de 30% dos bebês morriam logo depois de acolhidos, a maioria por fraqueza e desnutriçãoHoje a Roda pode ser vista no Museu da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.