Itália trabalha para obter asilo para ditador na África

CORRESPONDENTE / PARIS

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2011 | 00h00

Nenhuma proposta oficial foi divulgada, mas o governo da Itália estaria trabalhando nos bastidores por um acordo político que permita ao ditador líbio, Muamar Kadafi, partir para o exílio em um país da África fora da jurisdição do Tribunal Penal Internacional (TPI) de Haia. A revelação foi feita pelo jornal britânico The Guardian, que descreveu o projeto como o "paraíso africano" de Kadafi.

A proposta deveria ter sido discutida ontem, no encontro de chanceleres em Londres, mas o comunicado final da reunião não trouxe nenhuma referência a negociações diplomáticas sobre o exílio de Kadafi. Segundo o jornal, a proposta de Roma seria obter do regime um cessar-fogo nos termos exigidos pela ONU. O compromisso preveria ainda a obtenção de asilo político para o ditador e seus parentes próximos em um país africano fora da jurisdição do TPI.

 

 

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Entre as possibilidades estão Etiópia, Guiné-Bissau, Mauritânia, República Democrática do Congo, Ruanda e Sudão - além dos vizinhos que já passaram por levantes populares, Tunísia e Egito.

Ontem, o chanceler italiano, Franco Frattini, afirmou que o regime de Kadafi cairá em pouco tempo. "Acredito que a Líbia será liberada rapidamente", disse em entrevista à emissora italiana La7. "Na resolução da ONU não se fala em queda violenta do regime, mas há uma condição implícita, não escrita, que eu leio como "Kadafi deve partir"", completou.

Para Frattini, a União Africana pode ser decisiva para uma proposta de exílio que possa ser aceita por Kadafi. Negociações foram iniciadas na sexta-feira, em Adis-Abeba, capital da Etiópia, entre representantes da União Africana e do governo líbio.

Ontem, em Londres, o grupo de chanceleres da coalizão internacional não excluiu a hipótese do exílio. "Eu creio que ele deveria enfrentar o TPI, mas para onde ele vai depende dele", afirmou o ministro das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, William Hague. "Não controlamos o lugar para onde ele possa ir."

Apesar de a possibilidade de se obter o exílio de Kadafi em um "paraíso africano" estar sendo estudada, uma investigação já foi aberta no TPI contra o líder líbio. Segundo Luis Moreno-Ocampo, procurador do tribunal, um processo por crimes contra a humanidade já foi aberto contra Kadafi e os filhos dele em razão da repressão violenta ao movimento rebelde, em especial no mês de fevereiro. Por enquanto, segundo explicou Ocampo ao jornal espanhol El País, nenhum mandado de prisão internacional pesa contra o ditador líbio.

 

 

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