Itália vai enviar soldados ao Afeganistão

O Parlamento italiano aprovou, nesta quarta-feira, por ampla maioria, a participação de soldados do país na guerra antiterrorista no Afeganistão encabeçada pelos EUA. A Itália vai enviar uma força de 2.700 homens de unidades do Exército, Marinha e Força Aérea, que atuará sob comando direto dos militares norte-americanos e estará envolvida basicamente em operações defensivas e de logística. Apenas um número limitado participaria de combates. Também nesta quarta-feira, o gabinete de governo do chanceler da Alemanha, Gerhard Schröeder, endossou a decisão dele de destacar um contingente de 3.900 militares por um período de até um ano em apoio aos efetivos dos EUA e da Grã-Bretanha - seus aliados, bem como da Itália, na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). A questão terá ainda de ser discutida no Parlamento e a expectativa das autoridades é de que seja aprovada até quinta-feira. Embora alguns membros da coalizão de governo - dos "verdes" e da ala esquerda do Partido Social-Democrata (SPD), de Schröeder - tenham declarado que votarão contra, a oposição democrata-cristã e o Partido Liberal manifestaram seu apoio, que poderá ser vital para o chanceler. Será a maior missão militar alemã desde o fim da 2ª Guerra Mundial e a primeira fora de solo europeu. O contingente alemão será formado por tanques rastreadores Fuchs para a luta contra armas biológicas e químicas, tropas de elite, aviões para transporte de pessoal e equipamentos e diversas unidades da Marinha. Em Roma, o ministro da Defesa da Itália, Antonio Martino, informou o Parlamento sobre o plano do governo de enviar o porta-aviões Garibaldi, com aviões Harrier (que decolam verticalmente), destróieres, helicópteros de ataque, um regimento blindado e unidades especializadas em armas químicas, biológicas e nucleares. A TV italiana antecipou que os primeiros grupos poderão partir neste fim de semana para a região próxima do Afeganistão. O primeiro-ministro Silvio Berlusconi havia pedido o apoio dos parlamentares "sem grandiloqüências retóricas, mas também sem ambigüidades" porque o país "precisava colaborar com a luta antiterrorismo". Apesar de pesquisas de opinião indicarem a oposição de 55% da população ao envio de tropas, na Câmara dos Deputados a proposta obteve 513 votos a favor para 35 contra e no Senado, 246 para 32. Outro apoio importante para os EUA nas próximas semanas foi confirmado nesta quinta-feira à imprensa pelo Tadjiquistão, país vizinho do Afeganistão. O presidente tadjique, Emomali Rakhmonov, informou numa coletiva de imprensa que o governo americano poderá utilizar suas três bases aéreas na campanha no território afegão. O Pentágono havia antecipado estar estudando qual delas seria mais conveniente. Os EUA já usam uma base militar no sul do Uzbequistão. Leia o especial

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