Photo by Alexey Ereshko / Russian Defence Ministry / AFP
Photo by Alexey Ereshko / Russian Defence Ministry / AFP

Itália vira centro da diplomacia médica da Rússia, China e Cuba

Russos mandam 160 médicos e nove aviões cargueiros com equipamentos para a Lombardia; cubanos mandam médicos, e chineses equipamentos

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de março de 2020 | 09h00

ROMA - Depois de a China adotar a diplomacia do coronavírus, é a vez da Rússia aproveitar a pandemia para lançar sua ofensiva durante a luta pelo controle da doença. Vladimir Putin anunciou o envio de 160 médicos à Itália e 9 aviões cargueiros Ilyushin com toneladas de materiais para ajudar o sistema de saúde daquele país no combate

Além dos russos e chineses, outro país entrou na corrida pela diplomacia médica: Cuba. De seu tradicional aliado, os Estados Unidos, a Itália recebeu, por enquanto, apenas um avião com equipamentos. 

A decisão da Rússia de mandar ajuda à Itália foi tomada após o primeiro-ministro Giuseppe Conte telefonar para Putin. Ela ocorre uma semana depois de a União Europeia acusar a Rússia de ser pouco transparente em relação ao avanço do coronavírus em suas terras – o país tem 306 casos da doença e 1 morte.

A missão é comandada pelo major-general Sergey Kikot, especialista em descontaminação. O grupo é formado por epidemiologistas e virologistas militares, que atuaram no combate ao ebola e à contaminação por antraz.

O material partiu da base aérea militar de Chkalovsky, perto de Moscou, e desembarcou em uma base perto de Roma. Os russos enviaram ainda três veículos especiais para a desinfecção e aparelhos médicos. Serão uma centena de respiradores artificiais, 200 mil máscaras e equipamento para detecção do vírus. A brigada russa foi recebida pelo ministro do exterior da Itália, Luigi di Maio, e seguiu para a Lombardia, região que é o epicentro da epidemia na Itália.

Ali, desde o dia 17 começaram a chegar os médicos chineses. Ao todo, cerca de 300 foram distribuídos pela região do norte da Itália. E o chefe deles, Sun Shuopeng, passou a aconselhar o governador local, Attilio Fontana.

Antonio Bondaz, pesquisador da Foundation for Strategic Research, explica a estratégia chinesa. Para ele, “Alibaba e outras empresas privadas estão envolvidas com o governo chinês em seu plano de longo prazo: mostrar sua capacidade de ser um aliado dos europeus e passar a mensagem de que os Estados Unidos fracassaram em ajudá-los”.

Com os médicos, Pequim enviou à Itália toneladas de material para o combate à covid-19. Aconselhado pelos chineses, o governador Fontana pressiona o governo do primeiro-ministro Conte em favor de medidas mais drásticas para conter a crise.

“É hora de parar as atividades econômicas e proibir o deslocamento de pessoas. É preciso fazer isso rápido. Todos devem ficar em casa, em quarentena, porque a vida das pessoas é a coisa mais importante. Aqui a situação é semelhante a Wuhan (cidade mais atingida pelo vírus na China)”, afirmou Shuopeng ao lado de Fontana.

Shuopeng chegou carregando 30 respiradores artificiais, 440 mil máscaras, 60 mil kits de diagnóstico, remédios, 5,5 mil roupas especiais e 6,7 mil óculos de proteção, conforme anunciou o ministro Di Maio em sua conta do Facebook.

Além da chegada de russos e chineses, uma equipe de 52 cubanos da brigada Henry Reeve, liderados pelo médico Carlos Pérez Diaz, desembarcou na Itália no dia 22. “Quando há um caso desse tipo, nós sempre estamos disponíveis a colaborar com outros países.

O povo italiano precisava de nós”, afirmou o médico ao Corriere della Sera. O grupo chegou em um voo da Alitalia bancado pelo governo italiano. “Não discutimos nenhuma forma de pagamento. Estamos aqui para colaborar. O governo italiano nos dará apenas comida e abrigo”, afirmou. São 35 médicos e 15 enfermeiros da Ilha – 31 deles com experiência no combate ao surto de ebola na África Ocidental, em 2014 – que ficarão na Lombardia.

Estados Unidos

A movimentação de China, Rússia e Cuba fez os Estados Unidos se mexer. Anteontem, depois da chegada dos russos, um Hércules C130J partiu da base americana de Ramstein, na Alemanha. O avião aterrissou na base militar de Aviano, no norte da Itália.

A embaixada italiana explicou ao Il Giornale que o avião trouxe “um sistema móvel de estabilização de pacientes” com dez leitos que pode tratar ao mesmo tempo 40 pessoas durante 24 horas.

O equipamento foi entregue ao Ministério da Defesa da Itália e inclui ainda duas tendas médicas. Pouco, comparado com as brigadas russas e chinesas operando em solo italiano. 

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