Italianas fazem protesto e dizem 'Basta!' a Berlusconi

Mais de 2 mil mulheres italianas - mães e filhas, políticas, artistas e outras profissionais - assinaram um abaixoassinado online dizendo ao primeiro-ministro Silvio Berlusconi que nem todas as mulheres na Itália são prostitutas ou dançarinas, num protesto conta os encontros do premiê com uma adolescente marroquina.

AE, Agência Estado

20 de janeiro de 2011 | 17h29

A campanha, intitulada ''Basta!'', é coordenada pelo jornal esquerdista L''Unita, ligado à oposição de centro-esquerda, e foi anunciada hoje, com as crescentes críticas contra Berlusconi por causa do escândalo. Promotores colocaram Berlusconi e três sócios sob investigação, alegando que ele pagou para fazer sexo com uma garota de 17 anos e usou seu escritório para encobrir o encontro.

Segundo os promotores, o primeiro-ministro fez sexo com várias prostitutas durante festas promovidas em sua propriedade em Milão. O premiê de 74 anos iniciou uma campanha para refutar as acusações, gravando duas mensagens em vídeo e uma de áudio nos últimos dias nas quais ele afirma que os promotores têm inclinação política.

A adolescente, apelidada de Ruby, iniciou ela mesma um campanha de mídia para negar que já tenha feito sexo com o premiê. Ontem, ela apareceu num dos canais de televisão de Berlusconi para refutar as informações - contidas em gravações clandestinas publicadas por jornais italianos - de que ela teria pedido 5 milhões de euros a Berlusconi para ficar quieta. "Eu posso fazer algo exagerado, mas eu nunca faria uma afirmação como esta", disse. Ela admitiu, porém, que ele deu a ela 7 mil euros para ajudá-la financeiramente, embora ele "nunca tenha tocado um dedo em mim".

Oposição

Os líderes opositores italianos exigiram mais uma vez a renúncia do primeiro-ministro e há boatos entre seus aliados sobre a convocação de eleições antecipadas. Mas Berlusconi afirma que não vai sair e que testemunhará no tribunal, contanto que os juízes sejam imparciais.

Hoje, o L''Unita saiu com a manchete "A revolta das mulheres", relatando o abaixoassinado ao qual 2 mil mulheres haviam aderido para dizer a Berlusconi que estão cansadas de seu comportamento. "Existem outras mulheres", escreveu o jornal, em editorial, listando os nomes de líderes sindicais, mulheres da oposição, atrizes, jornalistas e mães e filhas italianas.

"Há mulheres que não consideram uma vitória ir até a casa de um homem poderoso e sair de lá com dinheiro que uma pessoa normal ganharia em sete meses de trabalho". A campanha é semelhantes à "eu não estou à sua a disposição", lançada no ano passado pelo jornal esquerdista La Repubblica após outro escândalo sexual envolvendo Berlusconi.

O protesto teve início depois que o primeiro-ministro insultou a aparência "matrona" da política opositora Rosy Bindi, que disparou: "Eu não sou uma das mulheres à sua disposição".

As informações são da Associated Press.

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