Italianas tomam as ruas pela saída de Silvio Berlusconi

Protestos provocados pelo último escândalo sexual do premiê são registrados em mais de 200 cidades do país

Reuters, O Estado de S.Paulo

14 de fevereiro de 2011 | 00h00

As mulheres da Itália fizeram protestos em todo o país ontem. Revoltadas pelo último escândalo sexual envolvendo o primeiro-ministro Silvio Berlusconi, as manifestantes afirmavam que o líder fere sua dignidade e reforça na Itália estereótipos de gênero ultrapassados.

Milhares marcharam em Nápoles e Palermo. Organizadas pela internet, as manifestações ocorreram em mais de 200 cidades italianas.

As mulheres ostentaram cartazes que pediam a renúncia imediata de Berlusconi e gritavam frases como "A Itália não é um bordel".

Lideradas por personalidades como atrizes, figuras políticas e outras mulheres de destaque, as marchas foram programadas ainda em outros países, dos Estados Unidos à Grécia.

"Estamos pedindo a todas as mulheres que defendam o valor de sua dignidade e perguntando aos homens "Se não é agora, será quando?", registraram as organizadoras no site do protesto.

As manifestantes dizem que a imagem das mulheres dissemina uma cultura na qual aelas próprias acabam enxergando a exploração de sua beleza como o único caminho para o sucesso.

Na quarta-feira, a Promotoria de Milão entrou com um pedido para julgar Berlusconi, acusando-o de pagar por sexo com uma dançarina menor de idade. O escândalo reacendeu clamores da oposição para que Berlusconi renuncie, enquanto ele se agarra ao poder após uma cisão em seu partido, o PDL, no ano passado.

Outro lado. O premiê já sobreviveu a escândalos sexuais no passado e muitas de suas apoiadoras se mostram indiferentes ao caso mais recente, denunciando o que veem no processo do Ministério Público uma artimanha puritana com motivações políticas. Muitas delas participaram de passeatas pró-Berlusconi na sexta-feira.

"Nós o apoiamos de todo coração", disse Stella Falcetta com lágrimas nos olhos em uma manifestação em Milão. "Porque, como ele diz, o amor vence o ódio."

O presidente Giorgio Napolitano alertou que a tensão política está muito alta e disse a Berlusconi em que a Itália corre o risco de enfrentar novas eleições como resultado.

Silêncio

Berlusconi não comentou as manifestações. As acusações da Promotoria, porém, ele qualifica como "repugnantes e grosseiras" e diz que a entidade age com "objetivos subversivos"

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