Italiano abandona autoridade no Iraque desiludido com EUA

Um italiano integrante da autoridade provisória liderada pelos EUA administrando o Iraque renunciou ao posto dizendo ter ficado completamente desiludido com as políticas americanas para o país. Marco Calamai, um conselheiro especial da Autoridade Provisória da Coalizão na província de Dhi Qar, disse a repórteres na principal cidade da província, Nassíria, que a autoridade liderada pelo americano Paul Bremer é ineficiente, não entende as necessidades dos iraquianos e é incapaz de reconstruir o país. Para ele, somente uma autoridade interina liderada pelas Nações Unidas pode reverter a situação. "A autoridade provisória simplesmente não funciona", denunciou ele ao jornal italiano Corriere della Sera. "Projetos de reconstrução que foram prometidos e financiados não têm praticamente tido resultados". O Ministério do Exterior italiano confirmou hoje que Calamai renunciou ao cargo, mas não fez comentários. Em declarações publicadas pelo jornal La Stampa, Calamai disse que os EUA subestimaram a complexidade da estrutura social do Iraque, e sugeriu que a falta de entendimento contribuiu para o ataque contra uma base de carabineiros italianos em Nassíria na semana passada que matou 19 italianos e 14 outras pessoas. O ataque, para Calamai, "é conseqüência de uma política incorreta e a subestimação da complexidade da estrutura social iraquiana". A autoridade liderada pelos EUA, teria dito ele ao Corriere, criou "desilusão, descontentamento social e ódio" entre os iraquianos e permitiu que o terrorismo "se enraizasse facilmente". O governo italiano do premier Silvio Berlusconi foi um forte aliado dos Estados Unidos durante a guerra e enviou 2.700 soldados para ajudar a reconstruir o país. Apesar de os italianos serem a maior força em Nassíria, a província é administrada pelo coordenador britânico John Bourne. Numa entrevista ao jornal italiano L´Unita um dia antes de sua renúncia, Calamai havia reclamado que os britânicos e os americanos marginalizavam os italianos. "Eles não nos consultam, eles não buscam nosso envolvimento, mesmo com a segurança deles dependendo de nós", afirmou.

Agencia Estado,

17 de novembro de 2003 | 15h27

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