Italiano escreve carta ao presidente pedindo eutanásia

Piergiorgio Welby, italiano de 60 anos, que há 30 sofre de uma distrofia muscular progressiva que o impede de falar, caminhar e mexer-se, e cuja respiração depende de uma máquina, escreveu uma carta pública ao presidente Giorgio Napolitano, pedindo a eutanásia, segundo informações do diário espanhol El País.De acordo com o jornal, o caso de Welby deve abrir um grande debate sobre a eutanásia na Itália. O paciente gravou um vídeo no qual afirma que seu "grito", gravado por um sintetizador, não é de desespero, mas de "esperança humana e civil para o país", e que seu estado de saúde faz com que seu desejo seja de "não despertar no dia seguinte".Na carta, Welgy afirma que ama a vida e tem medo da morte, porém, "o que tenho, por desgraça, não é vida, mas sim um longo e insensato sofrimento ao manter ativas as funções biológicas", segundo o El País.Sobre a proibição da eutanásia no país, Welgy afirma: "meu corpo não é meu" e que se não vivesse na Itália, onde o ato é proibido, "se fosse suíço, belga ou holandês, poderia evitar esse desprezo, mas sou italiano e aqui não há piedade", afirmou.O doente afirma, ainda, que não pede uma morte "digna, já que nunca uma morte pode ser digna, mas a vida deveria ter dignidade". Além da carta, transmitida em vídeo, Welby participou de um programa de vídeo na sexta-feira contando sua situação.Depois de receber a carta, o presidente italiano respondeu ao paciente que escutou a mensagem "comovido", tanto na posição de cidadão como de presidente. Napolitano afirmou que não vai se pronunciar a respeito da eutanásia a não ser que seja aberto um debate político sobre o tema, segundo o diário espanhol El País.O presidente considera que a mensagem de Welby pode ser uma boa oportunidade para refletir sobre a eutanásia e suas implicações éticas. Além disso, prometeu levar o debate para o centro do Parlamento italiano.

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