Italianos acreditam ter encontrado ossos de Caravaggio

Pesquisadores acreditam que descobriram os restos mortais do pintor italiano Caravaggio, 400 anos após sua morte.Após um ano de escavações e análises de ossos centenários, os pesquisadores disseram hoje que identificaram um conjunto de ossos que acreditam ser de Caravaggio, embora admitam que nunca poderão ter 100% de certeza. Eles acreditam que o pintor pode ter morrido de insolação, pois estava enfraquecido pela sífilis.

AE-AP, Agência Estado

16 de junho de 2010 | 17h57

O conjunto de ossos - um fragmento da parte frontal do crânio, dois pedaços de mandíbula, um fêmur e um fragmento do osso sacro, que fica na base da coluna vertebral - foram exibidos em Ravenna, uma cidade do norte da Itália, onde a maioria das análises foi realizada. Dentro de uma caixa de acrílico, os ossos estão sobre uma almofada de seda vermelha.

Caravaggio morreu em Porto Ercole, cidade da costa da Toscana, em 1610. Aos 39 anos, ele fora um pintor de celebridade e levou uma vida desregrada com brigas de rua, bebedeiras e prostitutas. Seus últimos dias são cercados de mistério.

Indícios

O grupo de cientistas e historiadores fizeram escavações e estudaram os ossos encontrados em criptas de Porto Ercole e analisaram arquivos em busca de documentos sobre as atividades de Caravaggio. O grupo realizou testes de carbono 14, exames de DNA e de outros tipos, até separarem alguns dos fragmentos.

"Não pode haver certeza científica porque quando se trabalha com DNA antigo, ele está degradado", disse Giorgio Gruppioni, antropólogo do grupo. "Mas apenas um conjunto de ossos encontrado apresenta todos os elementos necessários para ser de Caravaggio: idade, período no qual morreu, sexo e altura."

A comparação de DNA foi realizada entre os ossos que foram identificados e os de possíveis parentes masculinos na pequena cidade no norte da Itália onde o pintor - cujo nome verdadeiro era Michelangelo Merisi - nasceu em 1571. Até onde se sabe, Caravaggio não teve filhos, portanto não teve descendentes diretos.

Gruppioni disse que eles identificaram uma combinação genética nas pessoas cujo sobrenome era Merisi ou Merisio. Como os ossos são velhos e o DNA está degradado, nem todas as características genéticas puderam ser confirmadas. Apesar disso, as evidências apontam para o pintor. Os ossos pertenceram a um homem que morreu entre 38 e 40 anos de idade por volta de 1610. Os ossos também apresentam alto nível de chumbo e outros metais associados à pintura. Sedimentos encontrados nos ossos também são compatíveis com as camadas mais profundas do terreno dentro da cripta - o nível onde os ossos foram depositados, disseram os pesquisadores.

Os ossos pertenceram a um homem robusto. Caravaggio, que tinha 1,70 metro de altura, era alto para os padrões de seu tempo. A causa da morte de Caravaggio tem sido alvo de muitas conjecturas, algumas alimentadas pela existência aventureira que o artista teve. As possibilidades levantadas por estudiosos vão de malária a sífilis até assassinato cometido por um dos vários inimigos que o pintor fez durante a vida.

Os pesquisadores acreditam que Caravaggio pode ter morrido de insolação, mas Gruppioni disso que isso não deixa traços nos ossos, embora não haja certeza científica. O projeto é encerrado no momento em que a Itália comemora 400 anos da morte de Caravaggio, lembrando-o como um artista revolucionário que mudou a história da pintura moderna.

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