Italianos fazem protesto contra ampliação de base dos EUA

A cidade de Vicenza, no norte da Itália, será palco, neste sábado, 17, de uma manifestação contra a ampliação de uma base americana na localidade. Os organizadores da manifestação, o Comitê de Cidadãos de Vicenza, que se opõe à ampliação da base militar, construída a poucos quilômetros do centro da cidade, reiteraram o caráter pacífico do protesto.A manifestação terá em sua linha de frente mães e crianças da cidade, com um cartaz onde se lerá: "Rebelar-se é justo". Atrás virá o restante dos participantes e, no fim, virão membros de movimentos sociais, políticos e sindicatos.Os organizadores do protesto esperam mais de 50 mil pessoas.Vários ônibus e trens especiais partiram na madrugada deste sábado das principais cidades italianas para Vicenza, onde os manifestantes percorrerão seis quilômetros a partir da estação ferroviária.A manifestação acontecerá sob um forte esquema de segurança, do qual participarão mais de 1.500 agentes da Polícia, fora os seguranças contratados pelos próprios organizadores. Além disso, os vôos de aviões civis foram proibidos e as escolas, fechadas.O primeiro-ministro da Itália, Romano Prodi, entrevistado pela Radio24, disse neste sábado que "as manifestações são o sal da democracia,mas devem ser pacíficas, tranqüilas e sem violência".A declaração teria sido feita devido a um comentário do ministro do Interior, Giuliano Amato, que esta semana advertiu sobre a possibilidade de serem registrados episódios de violência, pelo fato de o protesto "ser uma ocasião em que diferentes grupos hostis poderiam se unir contra as forças da ordem".O prefeito de Vicenza, Enrico Hullweck, não disfarçou ontem seu temor diante da possível presença de violentos grupos de anarquistas, que já causaram distúrbios na reunião do G8 em Gênova em 2001, ocasião em que um jovem morreu.ManifestaçãoEsta semana, a embaixada dos Estados Unidos em Roma aconselhouseus compatriotas, através de seu site, a não visitarem Vicenza estes dias.No entanto, segundo a imprensa local, cidadãos americanos tambémparticiparão da manifestação, alguns vindos diretamente do outro lado de Atlântico, com bandeiras de seu país com o símbolo da paz no lugar das estrelas.O Governo de Prodi já aprovou o projeto de ampliação da base "Camp Ederle", com o qual o Executivo anterior já tinha se comprometido.A manifestação evidencia as divergências na coalizão governista, pois dela participação de membros da esquerda progressista, entre eles deputados e senadores do Partido da Refundação Comunista, do Partido Comunista Italiano e do Partido Vede."Eu também teria ido, mas não posso em respeito ao cargo que represento", disse esta semana o presidente do Congresso e líder comunista, Fausto Bertinotti.

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