Italianos libertos no Egito dizem que resgate não teve tiros

Os 19 europeus sequestrados no deserto do Saara não foram resgatados em uma operação militar, mas libertos pelos sequestradores e levados até um local seguro por seus guias turísticos egípcios, disseram nesta terça-feira os reféns italianos soltos. Contradizendo os comentários de autoridades que afirmaram ter havido uma "operação de resgate e recuperação" seguida de tiroteio, os ex-reféns italianos disseram não ter ouvido nenhum disparo. Eles receberam de volta seu jipe e seu navegador por satélite e ouviram que estavam livres para ir embora. Cinco italianos, cinco alemães, um romeno e oito egípcios estavam em um safári no Saara, no Egito, quando foram sequestrados por cerca de 40 homens mascarados que os levaram para a fronteira com o Sudão e exigiram um resgate por sua soltura. "Tiros? Não ouvimos nenhum", disse a repórteres Mirella De Giuli, 70, ao voltar para sua casa, em Turim. "Confiamos em Deus e dirigimos por cinco ou seis horas no deserto, sem pneu sobressalente e com pouca água. Se cometêssemos algum erro, morreríamos". Ao chegar ao Egito, reconheceram dois homens armados. "Primeiro, tivemos medo de que fossem outros sequestradores, mas eram soldados egípcios e, então, vimos que tudo tinha finalmente acabado", disse Walter Barotto, 68. O relato dos ex-reféns contrasta com as reportagens publicadas no Sudão e no Egito, que afirmavam que seis sequestradores foram mortos em um tiroteio na fronteira. As autoridades fizeram relatos curtos e contraditórios sobre o resgate. Um dos egípcios libertos disse que os sequestradores abandonaram o grupo, resgatado por forças egípcias "momentos depois". O ministro das Relações Exteriores italiano, Franco Frattini, que disse na segunda-feira que as forças especiais e de inteligência do país estavam envolvidas na soltura, afirmou à rádio local nesta terça-feira que não houve "blitz" ou resgate armado. Segundo ele, também não houve pagamento de resgate. De acordo com Frattini, os sequestradores libertaram os turistas ao perceber a dimensão internacional da operação de resgate. "Uma ótima cooperação internacional entre as inteligências italiana, egípcia, alemã e sudanesa permitiu que os movimentos dos sequestradores fossem rastreados". Os ex-reféns afirmaram que não foram vítimas de violência e elogiaram os guias turísticos egípcios sequestrados com eles. (Por Stephen Brown)

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