Italianos protestam contra desemprego

Milhares foram às ruas contra as políticas de austeridade do país

Carmelo Carmilli e Roberto Mignucci, Reuters

18 de maio de 2013 | 11h01

ROMA - Milhares de pessoas protestaram em Roma neste sábado contra as políticas de austeridade e o elevado desemprego, pedindo ao primeiro-ministro da Itália, Enrico Letta, que se concentre na criação de empregos para ajudar a tirar o país da recessão.

"Esperamos que este governo finalmente comece a nos ouvir porque estamos perdendo a paciência", disse Enzo Bernardis, um dos milhares de manifestantes que agitavam bandeiras vermelhas e pediam mais direitos para os trabalhadores e melhores contratos de trabalho.

Há menos de um mês no poder, Letta vem tentando manter unida uma desconfortável coalizão de legendas de centro esquerda, incluindo seu partido, o Democrático, e o centro-direitista Povo da Liberdade, liderado pelo ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi.

As pesquisas mostram queda confiança no governo, formado depois de uma eleição sem claros vencedores. Uma das sondagens, divulgada na sexta-feira pelo instituto SWG, mostrou que a taxa de aprovação passou de 43 por cento no início do mês, para 34 por cento.

"Não podemos esperar mais" e "Precisamos de dinheiro para viver" eram alguns dos slogans nas faixas espalhadas na multidão.

Quando chegou ao poder, em abril, depois de dois meses de impasse político no país, Letta prometeu que a criação de empregos seria sua prioridade máxima. Mas vários manifestantes se queixaram de que ele não está mantendo a palavra e, em vez disso, se concentra em uma reforma de impostos sobre a propriedade, esboçada esta semana.

Líderes sindicais afirmam que ele precisa se distanciar da agenda de medidas de austeridade seguidas por seu antecessor no cargo, Mario Monti, que impôs uma série de corte de gastos, aumento de impostos e reformas previdenciárias para reforçar os cofres públicos, que estavam em situação difícil.

"Precisamos retomar os investimentos. Se não restabelecermos os investimentos públicos e privados, não haverá novos empregos", disse o secretário-geral do esquerdista Fiom, sindicato de metalúrgicos.

A Itália está mergulhada em sua maior recessão desde que os dados da economia começaram a ser computados trimestralmente, em 1970. As taxas de desemprego se aproximam de níveis recordes e cerca de 38 por cento dos jovens estão sem emprego.

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