Itamaraty ainda apura mortes no Iêmen

Chanceler Figueiredo diz que mortos identificados como brasileiros por autoridades locais podem ser terroristas com passaportes falsos

TÂNIA MONTEIRO, BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

01 Maio 2014 | 02h01

O ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, disse ontem que não pode afirmar oficialmente se há mesmo brasileiros entre os mortos em um ataque no Iêmen, na terça-feira, quando uma ofensiva do Exército no sul do país causou a morte de 18 militares e 12 pessoas identificadas como militantes da Al-Qaeda.

Segundo o ministro Figueiredo, é preciso investigar se os passaportes encontrados com as vítimas identificadas como brasileiras são verdadeiros. "Nós temos de ver se a pessoa que eventualmente portava um documento brasileiro era de fato um brasileiro", comentou, em entrevista no Planalto.

Para Figueiredo, é grande a probabilidade de um terrorista carregar documentos falsos para dificultar a identificação por parte das autoridades. "E, portanto, nós temos de ver, com bastante cuidado, se realmente há brasileiros para que possamos tomar providências", acrescentou. Ele lembrou ainda que o Brasil não tem uma embaixada no Iêmen e todo o processo de concessão de passaportes é feito por meio de Riad, na Arábia Saudita.

O ministro Figueiredo informou ainda que o embaixador do Brasil em Riad "está empenhado na busca dessas informações". Se forem realmente brasileiros, garantiu ele, o governo vai entrar em contato com as famílias para ver o que será feito dos restos mortais dessas pessoas e tomar as providências necessárias para o traslado.

O ministro não soube dizer exatamente quantos brasileiros vivem no Iêmen, mas disse que, seguramente, são menos de cem.

Questionado sobre se sabia se os brasileiros poderiam estar envolvidos com a Al-Qaeda, o ministro respondeu: "Não temos nenhuma informação nesse sentido". E reforçou a informação de que não sabia se eram, de fato, brasileiros que estavam entre os mortos.

O presidente iemenita, Abdu Rabbo Mansur Hadi, teria afirmado na terça-feira que havia entre as vítimas do ataque no país corpos de combatentes de várias nacionalidades e, entre eles, estariam brasileiros, franceses, holandeses, alemães e árabes.

Demanda. Os passaportes brasileiros, especialmente a versão antiga de cor verde, são muito procurados por organizações terroristas e falsificadores. Uma das razões é o fato de que são mais fáceis de falsificar, uma falha consideravelmente contornada com a adoção da nova versão do documento, de cor azul e equipado com chip.

Outra razão, segundo autoridades, é o fato de o Brasil ter relações diplomáticas com a grande maioria dos países, o que facilita a entrada do portador do documento oficial em muitos territórios.

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