Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Itamaraty sonda brasileiros sobre possível saída da Venezuela

No sábado 23, Consulado do Brasil enviou questionários sobre interesse dos residentes em voltar; segundo Itamaraty, não há no momento nenhum plano de retirada

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2019 | 12h05
Atualizado 27 de fevereiro de 2019 | 11h10

Os postos consulares do Brasil na Venezuela enviaram e-mails com questionários sondando o interesse dos brasileiros em deixar o país no caso de um agravamento da crise local. Segundo um assessor do Itamaraty, trata-se de um procedimento padrão para se avaliar a necessidade de um plano de retirada em uma verdadeira situação de emergência, o que ele afirmou não estar sendo congitado nesse momento. 

O assessor explicou que cerca de 2 mil pessoas receberam o e-mail. Há hoje 13 mil brasileiros vivendo na Venezuela, a grande maioria, 9 mil, em Caracas. Do total contatado, 600 manifestaram interesse em receber ajuda para sair em caso de um agravamento da crise.

Segundo explicou o assessor, com base em experiências anteriores, como no caso da Guerra do Líbano, ou na passagem de furacões pelo Caribe, essa proporção é muito pequena e não justificaria nesse momento a elaboração de um plano de retirada. "São brasileiros que criaram raízes na Venezuela. Se casaram, têm negócios, moram no país há muito tempo, são binacionais. Há também uma grande quantidade de crianças nascidas de pais brasileiros, que são cidadãos brasileiros, mas não têm nenhum vínculo com o Brasil", explicou.  

Pergunta

Nos e-mails, assim como na página do Consulado do Brasil em Caracas, constavam questionários para levantar quantas pessoas teriam interesse de receber ajuda para deixar a Venezuela. Foram feitas perguntas por exemplo: "Em caso de agravamento da situação política na Venezuela teria interesse em retornar ao Brasil caso o governo brasileiro venha oferecer meios de transporte?"

O assessor não soube explicar porque o formulário foi retirado da página do Consulado em Caracas. Para quem já estava com o formulário aberto, a pergunta foi alterada. "Em caso de agravamento da situação política na Venezuela teria interesse em retornar ao Brasil?"

Os e-mails foram disparados no dia 23, sábado, quando era esperado que caminhões cruzassem a fronteira da Colômbia e do Brasil com a Venezuela - ambas fechadas por Caracas - com ajuda internacional e havia uma perspectiva de agravamento da crise. Nesse dia, os confrontos nas fronteiras  se intensificaram após o governo de Nicolás Maduro impedir a entrada dos caminhões em seu território. 

Na ocasião, o Ministério de Relações Exteriores do País divulgou dois alertas aos brasileiros. Um deles justamente explicando a importância de se responder ao questionário. "Em vista da situação por que passa a Venezuela, este Consulado-Geral está coletando informações dos brasileiros residentes no país para fins de adotar medidas cabíveis de assistência consular. Para tanto, solicita o preenchimento do formulário".

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O outro comunicado divulgado pedia que os brasileiros evitassem as áreas de conflito na Venezuela. "O Consulado-Geral recomenda, também, aos turistas brasileiros que evitem viajar à Venezuela neste momento e enquanto perdurar a situação", completa o alerta do Itamaraty, que continua no ar. 

O Consulado do Brasil em Caracas é a única representação diplomática do País na Venezuela desde dezembro de 2017, quando o embaixador brasileiro no país vizinho foi declarado "persona non grata" e expulso. /

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