Itamaraty avalia risco da visita de Lula ao Irã

A cerca de três meses da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Teerã, o Itamaraty está acompanhando a política interna iraniana e adiando o quanto pode a confirmação da visita. Nas próximas semanas, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, enfrentará problemas domésticos graves.

AE, Agencia Estado

11 de fevereiro de 2010 | 08h36

Entre março e abril, seu governo iniciará um corte de US$ 100 bilhões anuais em subsídios que, atualmente, barateiam produtos e serviços básicos e favorecem, sobretudo, as camadas menos favorecidas da população. Mesmo que reduza a pressão inflacionária, a medida deverá aumentar as manifestações contra o governo de Ahmadinejad, que hoje mobiliza a classe média e os estudantes universitários.

A evolução do cenário interno vem sendo acompanhada cuidadosamente pelo governo brasileiro e deverá embasar - mais do que a pressão internacional sobre o Irã - a decisão final sobre a visita do presidente Lula ao país, programada, originalmente, para meados de maio. O Itamaraty continua as negociações com o governo iraniano sobre a definição de uma data. Apesar da vontade do presidente brasileiro de retribuir a visita de Ahmadinejad ao País, em novembro, sua viagem ao Irã ainda não é certa.

No fim de janeiro, o governo iraniano oficializou a reforma nos subsídios para os próximos cinco anos. As medidas serão adotadas a partir de 21 de março, quando começa o ano fiscal do Irã, e atingirão os preços de produtos fundamentais, como trigo, arroz, óleo de cozinha, água, açúcar, leite, fertilizantes, energia elétrica e serviços postais.

Também estará nesse plano a elevação dos preços internos do petróleo e de seus derivados, em especial da gasolina e do diesel, que devem subir para cerca de 90% do valor médio internacional. Um litro de gasolina é hoje vendido a US$ 0,10 no país, enquanto que a média mundial é de US$ 0,40.

"Há um elevado potencial de instabilidade interna. Não sabemos como o governo iraniano reagirá e nem se conseguirá controlar a situação", afirmou uma autoridade do governo brasileiro que acompanha a questão. "Muita água ainda deve rolar até a visita do presidente Lula." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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