Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Itamaraty pede que comunidade internacional não apoie eleições na Venezuela

Posicionamento do Ministério das Relações Exteriores foi motivado por relatório da ONU que constatou a promoção de crimes contra humanidade pelo regime de Nicolás Maduro

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2020 | 14h33

BRASÍLIA - O Brasil pediu que a comunidade internacional não apoie as eleições legislativas convocadas pelo "regime ditatorial" de Nicolás Maduro, acusado por um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) de ter cometido crimes contra a humanidade. A convocação foi feita nesta quinta-feira, 17.

"Em face do teor do relatório, o Brasil considera que um regime como o de Maduro não tem quaisquer condições ou legitimidade para convocar ou conduzir um processo eleitoral limpo e justo, e, portanto, que as eleições parlamentares convocadas pela ditadura para o próximo mês de dezembro não devem ser apoiadas pela comunidade internacional", diz o comunicado emitido pelo Ministério das Relações Exteriores.

A convocação feita pelo País coincide com o início da turnê do secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, pela América Latina. Na sexta-feira, Pompeo desembarca no Brasil, em Roraima, na região que faz fronteira com o país governado por Maduro.

A Venezuela terá eleições no dia 6 de dezembro para renovar o Parlamento, atualmente dominado pela oposição. No entanto, enquanto Maduro defende a realização do pleito, a oposição afirma que não há condições igualitárias para a disputa nas urnas.

"O Brasil espera que o relatório mobilize toda a comunidade internacional a trabalhar pela extinção do regime ditatorial de Maduro e pela libertação da Venezuela", acrescentou o Itamaraty.

Em um relatório de 411 páginas, investigadores da ONU apontaram o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e outras autoridades chavistas como responsáveis por abusos sistemáticos dos direitos humanos, que constituem crimes contra a humanidade - incluindo assassinatos, tortura e estupro. Eles recomendaram apurações mais detalhadas sobre os casos relatados no documento, que foi divulgado na quarta-feira, 16./ AFP

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