Itamaraty critica ajuda financeira de países ricos

Em plena fase de articulação de uma Conferência de Doadores para o Haiti, o Itamaraty criticou hoje a promessa de ajuda financeira de países ricos ao Haiti. Mostrou-se igualmente preocupado com a montagem de canais para que os recursos cheguem ao país atingido pelo terremoto da última terça-feira.

DENISE CHRISPIM MARIN, Agencia Estado

14 de janeiro de 2010 | 19h48

Descontadas as ofertas do Brasil, de US$ 15 milhões, e dos Estados Unidos, que prometeu US$ 100 milhões, a diplomacia brasileira considerou "acanhada" a ajuda prometida pela União Europeia, de 4 milhões de euros, e do Canadá, de US$ 5 milhões. "Consideramos que os países ricos poderiam ser mais generosos", afirmou um diplomata que acompanhou as reuniões internas do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.

Segundo o diplomata, o Itamaraty iniciou hoje conversas com os cerca de 20 países e com os organismos internacionais que compõem o grupo de doadores para o Haiti. A boa recepção do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, teria dado o aval para o começo dessas articulações. Em abril do ano passado, a mesma agrupação havia prometido a remessa de um total de US$ 324 milhões para ajudar o país, que havia enfrentado a passagem de vários furacões em 2008.

Em princípio, o Itamaraty considera que a ideia da realização da conferência está em linha com a sugestão do presidente francês, Nicolas Sarkozy, de convocar uma reunião entre a França, Estados Unidos e Brasil para tratar da reconstrução do Haiti.

Minustah

Membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas desde 1º de janeiro, o Brasil já começou a se movimentar também para a alteração do mandato da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (Minustah), força que foi criada em 1993 e que sempre esteve sob o comando brasileiro.

O Itamaraty avalia que os militares da Minustah, dentre os quais os brasileiros, assumirão funções que não estão previstas no mandato original e terão de se coordenar com forças que não a compõem. Entre elas, as tropas enviadas ao Haiti pelo governo Obama no porta-aviões Carl Vinson, da Quarta Frota americana.

Embora Obama tenha dito claramente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que os soldados americanos se coordenariam com os brasileiros, o Itamaraty está ciente que, por doutrina, as tropas dos Estados Unidos não se subordinam a oficiais de outros países.

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