Itamaraty critica promessa de ajuda de países ricos ao Haiti

Celso Amorim considerou o apoio financeiro dos Estados Unidos de US$ 100 milhões 'acanhada'

estadao.com.br,

14 de janeiro de 2010 | 23h52

Em plena fase de articulação de uma Conferência de Doadores para o Haiti, o Itamaraty criticou nesta quinta-feira, 14, a promessa tacanha de ajuda financeira de países ricos ao Haiti. Mostrou-se igualmente preocupado com a montagem de canais para que os recursos cheguem ao país atingido pelo terremoto da última terça-feira. Descontadas as ofertas do Brasil, de US$ 15 milhões, e dos Estados Unidos, que prometeu US$ 100 milhões, a diplomacia brasileira considerou "acanhada" a ajuda prometida pela União Europeia, de 4 milhões de euros, e do Canadá, de US$ 5 milhões.

 

"Consideramos que os países ricos poderiam ser mais generosos", afirmou um diplomata que acompanhou as reuniões internas do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.

 

Segundo o diplomata, o Itamaraty iniciou nesta quinta-feira suas gestões com os cerca de 20 países e com os organismos internacionais que compõem o grupo de doadores para o Haiti. A boa recepção do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, teria dado o aval para o começo dessas articulações. Em abril do ano passado, a mesma agrupação havia prometido a remessa de um total de US$ 324 milhões para ajudar o país, que havia enfrentado a passagem de vários furacões em 2008.

 

Em princípio, o Itamaraty considera que a ideia da realização da conferência está em linha com a sugestão do presidente francês, Nicolas Sarkozy, de convocar uma reunião entre a França, Estados Unidos e Brasil para tratar da reconstrução do Haiti.

 

Minustah

 

Membro não-permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas desde 1º de janeiro, o Brasil já começou a se movimentar também para a alteração do mandato da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (Minustah), força que foi criada em 1993 e que sempre esteve sob o comando brasileiro. Em entrevista à agência Reuters, o chanceler Amorim defendeu que o Conselho de Segurança examine o tema o quanto antes. "Temos de facilitar os trabalhos (da Minustah) que vão além daquilo que é, pura e simplesmente, a manutenção da ordem, no sentido tradicional", afirmou.

 

O Itamaraty avalia que os militares da Minustah, dentre os quais os brasileiros, assumirão funções que não estão previstas no mandato original e terão de se coordenar com forças que não a compõem. Entre elas, as tropas enviadas ao Haiti pelo governo Obama no porta-aviões Carl Vinson, da Quarta Frota americana.

 

Embora Barack Obama tenha dito claramente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em conversa por telefone ontem, que os soldados americanos se coordenariam com os brasileiros, o Itamaraty está ciente que, por doutrina, as tropas dos Estados Unidos não se subordinam a oficiais de outros países. (Denise Chrispim Marin)

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