Itamaraty diz que acordos do bloco se mantêm

Ao suspender de forma inédita um país do Mercosul, o bloco aplicou uma punição política ao presidente do Paraguai, Federico Franco, impedindo-o de participar de pelo menos duas reuniões de cúpula do bloco que ocorrerão até o fim do seu mandato, previsto para agosto de 2013, na avaliação do Itamaraty. Ao mesmo tempo, porém, ficam mantidas todas as vantagens comerciais e os acordos firmados pelo país. A suspensão, decidida rapidamente e por consenso, não deu chance para que os paraguaios se explicassem.

IURI DANTAS / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2012 | 03h03

O Brasil avalia que a suspensão política do Paraguai vale tanto para a reunião de cúpula do bloco prevista para quinta e sexta-feira, na Argentina, quanto para o próximo encontro de chefes de Estado, previsto para daqui a seis meses. Segundo a assessoria do ministro Antonio Patriota, os próximos passos da diplomacia brasileira serão dados em conjunto com Argentina e Uruguai, os outros dois sócios plenos da união aduaneira neste momento.

Como o Paraguai não possui embaixadores destes países, convocados após o impeachment do ex-bispo Fernando Lugo na sexta-feira, uma via de diálogo terá de ser aberta, de acordo com o Itamaraty.

Defesa. Um primeiro contato com o governo paraguaio foi feito logo após o impeachment, segundo o Itamaraty. Patriota estava em Assunção quando o Senado aprovou o impeachment e conversou com parlamentares e com Franco, que foi eleito vice de Lugo, mas distanciou-se politicamente do ex-bispo. Com base nestes diálogos, o Brasil avaliou que o processo de afastamento do presidente paraguaio ocorreu dando pouca margem de defesa para Lugo, em uma velocidade sem paralelo quando comparado com outros impeachments no mundo.

A presidente Dilma Rousseff ouviu as impressões de Patriota anteontem, numa reunião da qual também participaram os ministros da Defesa, Celso Amorim, de Minas e Energia, Edison Lobão, e Jorge Samek, presidente da Itaipu Binacional.

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