Itamaraty diz-se ''preocupado'' com denúncia feita por Lugo

Presidente paraguaio acusou adversários de tramar golpe contra ele

Denise Chrispim Marin , BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

03 de setembro de 2008 | 00h00

O governo brasileiro registrou ontem sua "preocupação" com as "graves denúncias" de que estaria em curso um complô contra o novo governo paraguaio. Na segunda-feira, o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, acusou seu antecessor, Nicanor Duarte, de estar envolvido num suposto plano de golpe. Em nota divulgada pelo Itamaraty, o governo brasileiro apoiou Lugo, dando a entender que não tolerará um movimento golpista no país vizinho. "O governo brasileiro confia que a institucionalidade democrática será plenamente mantida no país e reafirma seu apoio ao presidente Lugo, legitimamente eleito pelo povo paraguaio", diz a nota.Em uma entrevista no Rio, o chanceler brasileiro, Celso Amorim, disse ter convicção de que "a era das aventuras golpistas" já passou na América Latina, mas fez a ressalva: "Temos uma denúncia de um presidente eleito - e, se ele fez uma denúncia dessa gravidade, temos de levá-lo a sério", disse. "Lógico que me preocupa."Nos bastidores do Itamaraty, porém, as acusações de Lugo foram comparadas às inúmeras denúncias de conspiração dos presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e da Bolívia, Evo Morales. Segundo um diplomata brasileiro, nenhuma delas tem fundamento e todas parecem orientadas a angariar apoio popular para o governo.OUTROS PAÍSESLugo recebeu apoio também de outros países latino-americanos, como a Argentina e a Venezuela. Em Assunção, diversos embaixadores - entre eles o brasileiro - foram convocados pelo chanceler paraguaio, Alejandro Hamed, para receber detalhes sobre a denúncia do presidente do país. Segundo Amorim, Hamed disse que haverá uma investigação sobre o caso. Em 1998, o Brasil e a Argentina ajudaram a frustrar um golpe contra o então presidente Juan Carlos Wasmosy. Para evitar novas ameaças, os dois vizinhos e o Uruguai assinaram no mesmo ano o Protocolo de Ushuaia - mais conhecido como a Cláusula Democrática do Mercosul -, que prevê a expulsão do bloco dos países nos quais a ordem institucional for quebrada. Segundo Lugo, também estaria envolvido na conspiração o general da reserva Lino Oviedo, terceiro colocado nas eleições presidenciais de abril. Na campanha eleitoral, Lugo apontava Oviedo como o "candidato do Itamaraty", numa referência às posições menos agressivas do general em relação ao Brasil.COM EFE

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