Itamaraty manterá discrição em cúpula nuclear de Teerã

Apenas embaixador do País irá à conferência, convocada para fazer oposição ao encontro [br]realizado nos EUA

João Domingos, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2010 | 00h00

O Brasil optou por uma representação apenas protocolar na Conferência pelo Desarmamento e Não-Proliferação Nuclear que será realizada neste fim de semana no Irã. Convocada pelo governo de Mahmoud Ahmadinejad em resposta à Conferência de Segurança Nuclear nos EUA, a cúpula iraniana terá um representante brasileiro de menor peso político, o embaixador Antônio Luiz Spínola Salgado.

Reforçando a discrição, o embaixador Salgado não fará pronunciamentos oficiais. A ordem no Itamaraty é que, mesmo tendo se posicionado contra sanções ao Irã no encontro de Washington, o Brasil tratará a conferência iraniana como algo menor. Na cúpula americana, que terminou na terça-feira passada, o País foi representado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo chanceler Celso Amorim.

Bomba "anti-islâmica". O embaixador do Irã no Brasil, Mohsen Shaterzadeh, anunciou ontem que participarão 70 países da conferência iraniana, representados por seus chefes de Estado, chanceleres ou embaixadores.

Se forem todos os países esperados, a cúpula de Teerã baterá a de Washington no número de participantes: 70 a 47.

O lema da conferência iraniana, segundo o embaixador, é "Arma atômica para ninguém; energia nuclear para todos". Shaterzadeh disse que "o Irã sempre defendeu o fim das armas nucleares". Não só, segundo ele, por ser contra os artefatos que ameaçam a segurança do planeta, mas também porque o islamismo rejeita esse tipo de arma.

"O Islã é contra armas nucleares, químicas e biológicas e acha que todas devem ser destruídas." De acordo com o embaixador iraniano, as informações que EUA e países da União Europeia divulgam a respeito da possível fabricação de armas nucleares por seu país são "mentira".

A POSIÇÃO DO BRASIL

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva diz "querer para o Irã o que quer para o Brasil": acesso à tecnologia nuclear com garantias de que ela não seja usada para fins militares. Mas o Irã está sendo acusado de buscar a bomba. Seu programa balístico e a usina de Qom, mantida em segredo por anos, seriam exemplos dessa busca.

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